sábado, 31 de julho de 2010

Carro Novo

A vida é ou deve ser tudo isto... será?

Quando há uns anos tirei a carta de condução, estava longe de tudo...
Foi talvez para testar as minhas capacidades mentais e físicas...

Depois veio logo um, dois acidentes e atá graves, por sinal... mau, péssimo começo...

Bem, depois, depois veio o comprar um carro novo... eu? eu com carro novo? eu que sempre achei que nunca iria guiar...

Na época deixei que o meu marido tratasse de tudo... não tinha qualquer opinião... tanto se me dava este ou aquele... era ou parecia ser tudo um sonho e estava com muito medo de não ser capaz, ainda por cima já tendo tido uma péssima experiência...

... Mas agora... bem agora é tudo diferente... em termos de carros ... estou mais crescidinha....

Mal surgiu a hipótese: ... se o Twingo ficar para a filha? Ela vai precisar de carro quando for para o novo local de emprego... anda a procura de carro? Usado? ... esse? tão velho? não gosto! E se mandássemos fazer uma revisão geral ao Twingo e ele fosse para a filha? Ou pagava ela a revisão, já que não compra carro? Ou dá-nos qualquer coisa por ele e pagamos nós a revisão!

No dia seguinte o meu marido chega a casa com revistas de carros...
Dia seguinte, perto da hora do almoço: podes sair? estive ali num stand a ver carros...

8 dias depois... 5ª. Feira, dia 29 de Julho de 2010 ... após já se ter visto vários carros(confesso que nunca tinha dado conta que existem tantas marcas) estávamos indecisos entre o Hyundai e o Kia... saímos cedo de casa para nos decidirmos... por um acaso entramos na Opel... bem giro, bem confortável,carro demais para mim... nada... vamos experimentar... não, o meu marido guia (não conto que ele ou eu é igual... a cumplicidade, o sentir ... é o mesmo... muitos anos...) regresso, a diferença de preço tendo em conta a qualidade e o carro ... nem se nota ... e vale a pena... AVANCE! Seja o que Deus quiser...
Contrato, pagamento de 10% de sinal, documentos que andam sempre comigo...
Já está!



Agora, bem agora é esperar que chegue durante o mês de Setembro, a data prevista de entrega também teve influencia, mas agora eu já sabia bem o que não queria, o que não gostava, a cor que queria... Peço a Deus que me adapte e que sinta o novo carro como sinto o meu Twingo!

Bjs

quarta-feira, 28 de julho de 2010

1º. aniversario de casamento do meu filho PARABÉNS!!!!!!!!!

1º. Ano - Bodas de papel



Foi um 1º. aniversário lindo!

Ofereci, aos dois, uma cesta de flores lindas, mas que por sinal nada adequado, tendo em conta o tamanho calor que esteve no Domingo, pobres flores!



Os noivos ofereceram aos pais e padrinhos um almoço na Quinta do Banco de Portugal, perto de Caneças e estavamos todos bem dispostos, o mais importante, claro!

A tarde foi um pouco de piscina, só com os noivos, já sem os padrinhos da noiva que, foram de viajem de férias e, sem os pais também que foram visitar familia.
A noite jantamos ainda com os noivos, os padrinhos do noivo e nós os "quotas" de serviço que estamos sempre prontos para a "folia".


Foi bem engraçado, agradeço a todos o pretenderem estar connosco, os 2 velhotes!
Penso que os dois tiveram um fim-de-semana bem comprido: praia, jantar no Chapitô, dormida num "hotel" no Castelo de S. Jorge (bem engraçado dado que há um ano atrás, passaram o pouco da noite que restou do casamento, em sua casa), almoço na Quinta, tarde de piscina, jantar de franguitos em casa, risos, cadeira nova no escritorio que o meu marido apelidou de "Emanuelle"... bem grande o fim-de-semana!

Depois a minha noite e o meu dia de 2ª. Feira foi com imensa febre e dores no corpo...já passou e como dizia a outra ... isso agora não conta nada...

PARABÉNS MEUS FILHOS E MUITO AMOR, MUITO CARINHO, MUITA SAÚDE E MUITA PAZ!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sinto-me FELIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIZZZZZZZZZZZZZZZZ

Ele há coisas.....
Então não é que me sinto FELIZ?
Desde que fiz a ultima intervenção cirúrgica ao nariz, em 23 de Dezembro de 2008, que não me sentia tão feliz como me sinto, desde há alguns dias atrás.
E confesso que não tenho qualquer razão para justificar essa sensação...
acho que tive a proeza de dar um novo folgo a vida...
Caramba, também já merecia, eu esforço-me muito por ser feliz e por fazer os outros felizes....
Mas sabem, é aquela alegria de querer estar sempre a rir de achar graça a tudo... de apetecer cantar (há tanto tempo que já não me ouvia cantar... corro o risco de já não saber...)de querer estar perto dos que amo...
E olhem que eu amo ... é que amo mesmo!
Amo os meus Filhos, acima de tudo e de todos, AMO o Meu Marido, Amante e companheiro desde tenra idade - bjs para ti marido...
Amo a minha nora, muito boa menina!
Amo a minha comadre, velhas amigas que nós somos já...
AMO AMO AMO

Estar feliz implica ter vontade de gritar para todo o mundo que é bom estar vivo. Estar feliz implica sentir o coração bater só por dar a mão a quem amamos.
Estar feliz implica alegria em acordar.
Estar feliz implica estar com amigos e com a pessoa que amamos.
Estar feliz implica olhar a nossa volta e sorrir porque respiramos.
Estar feliz implica ter a coragem de sermos fieis a nós mesmos.
Estar feliz implica amar e ser amado de verdade.
Estar feliz implica sentir cada beijo, cada abraço, cada sorriso, cada olhar
.

Sejam FELIZES!

terça-feira, 13 de julho de 2010

semana louca com um Final Belissimo



A semana passada foi a semana dos aniversários dos meus Filhos!
Sim, nasceram com 3 anos de diferença, mas no mesmo dia!

Foi uma semana louca de trabalho e comigo a dar entrada de urgência, no Hospital de Santa Maria, mas terminou a semana com o aniversário deles que correu MARAVILHOSAMENTE!

Não tenho sido, ao longa da vida, uma pessoa muito crente.
Mas com o passar dos anos, sou obrigada a reconhecer que existe "algo" que se encarrega de tudo vir a encaixar e de pôr no lugar e até de fazer "pagar" o que de mal se faz neste mundo, mesmo que não salte a vista de qualquer um, mas ... os próprios sentem na pele que estão a pagar...

Sinto-me uma pessoa AMADA e Respeitada e penso que mereço ambas as coisas.
Penso mais nos outros que em mim. Mas não é bem assim, porque ao fazer aos outros estou também a realizar-me. (não sei se isto é fácil de entender)

Este ano a Gaby não veio nem comparticipou na festa, mas mais uma vez aprendi que de facto só faz falta quem está e que não há insubstituíveis.

Antes dela se dar assim tanto comigo, os meus filhos já existiam e eu já fazia as suas festas de aniversário.
Mesmo estando no Hospital quase em cima do acontecimento a festa fez-se, com mais convidados do que o habitual e correu LINDAMENTE.
Foi das festas mais giras de sempre!

Para o meu filho, entre outras prendas que lhe demos, foi um postal com a data do aniversário e que dizia assim:

Hoje é um dia de Alegria e de Festa
Dia para assentar ideais, fazer um novo Balanço
e traçar novos objectivos...
Que todos os sonhos, todos os pensamentos
e desejos almejados, se concretizem!
Mil Felicidades!


Então o pai, escreveu:

Depois destas frases tão... mas tão bonitas
que os Senhores que inventam estes cartões
que dizem, tudo o que nos vai na alma,
que mais resta dizer, para além de
Mil Felicidades! ... Beijos!


Para a minha filha, entre outras prendas também foi um postal, com uma mensagem sobre a pessoa fantástica que ela é e eu escrevi-lhe mais algumas frases e deixo aqui um pouquinho delas:

Minha Adorada Filha,
Quando descobrires que aos "30" a Vida nos reserva um bom bocado de "Prazeres"... não te vais importar de largares os "20"...
Os "30" são as idades da Determinação, sabemos os ques, os comos, os quandos e o que Queremos...
Ouvir um "não" deixa de ter importância e de ser frustrante!
A lista do que tem importância vai diminuindo, mas no seu cimo, está realmente o que importa...
...um pouco de brejeirice: passamos a ser o sonho dos homens de 20 e os desejos dos de 40 e 50...
Emancipa-te e Declara-te FELIZ!
Vive tudo o que possas!
Corre na Praia!
Dança na chuva!
Sorri, como só uma criança sabe sorrir!
Vive em PAZ contigo mesma!
E... sempre que possas... vai ver o Sol Nascer... UM NOVO DIA SEMPRE COMEÇA!!!!
AMAMOS-TE


Já aqui contei que estou de relações cortadas com a minha sogra e com os meus cunhados...
Devido a isso, os meus filhos estavam com algumas reticencias em fazerem, como habitualmente, as suas festas de aniversários, na minha casa...
Acalmei-os e informei-os que sei perfeitamente separar as águas...
Alias, quando o meu filho se casou, no dia seguinte, fez-se um almoço com eles e eu servi-os...
A minha sogra tem estado no Hospital de Reumatologia a fazer fisioterapia aos ossos...
Quando chegou cruzei-me por acaso com ela e perguntei-lhe se estava melhor e cumprimentei-a... (não pretendo nem quero mais do que isto!nem tão pouco vou permitir mais...)
Á tarde, a minha nora disse-me que estava muito orgulhosa de mim, pelo que eu tinha feito pois ela tinha presenciado!
Á noite a minha filha mandou-me uma mensagem assim:
Muito Obrigada Mãe! Por tudo! Tu foste a pessoa que sempre me deste o abraço no momento certo!(está relacionado com uma frase que escrevi no postal e que acima não referenciei)Gosto muito dos meus pais e tenho muito orgulho em ti! (os meus filhos não sabem que eu falei com a minha sogra e até com o meu cunhado)Beijos!

Tenho ou não tenho razões para me sentir feliz?


sexta-feira, 25 de junho de 2010

GABRIELA CANAVILHAS

Saramago foi/é tão GRANDE que até a sua morta me proporcinou tomar conhecimento com personalidades que até então, não só me eram desconhecidas como não lhes tinha dado qualquer importância...

Gabriela Canavilhas
Actual Ministra da Cultura.

Na cultura, com amor...

A nova Ministra da Cultura deixou-se vencer pela emoção e esqueceu o protocolo

A pianista Gabriela Canavilhas é, desde 26 de Outubro 2009, oficialmente a nova Ministra da Cultura e, no final da tomada de posse, deixou aos jornalistas apenas uma frase: "Agora, é tempo de arregaçar as mangas e trabalhar". Acompanhadas pelo seu já natural e sincero sorriso, estas foram as únicas palavras proferidas à saída do Palácio de Ajuda, onde foi uma das primeiras pessoas a chegar, conduzindo o seu próprio automóvel que depois levou ao encontro do marido, José Manuel Canavilhas e da filha, Joana, de 23 anos.

Considerada uma das mais talentosas pianistas Portuguesas, Gabriela Canavilhas, de 46 anos, optou pelo preto para a cerimónia e, entre as novas caras do XIII Governo Constitucional, liderado por José Sócrates, é uma das que mais atenção e curiosidade tem merecido por parte da Imprensa.
Quebrando um pouco o protocolo, mas deixando que a emoção do momento e os sentimentos ganhassem liberdade, na tradicional sessão de cumprimentos o marido de Gabriela, José Manuel, militar, e a filha de ambos, Joana, licenciada em jornalismo, felicitaram a nova responsável pela cultura nacional. Hesitante, no início, o casal acabou por selar, com um beijo nos lábios, o início de uma nova vida, uma vez que devido ao novo cargo toda a família se mudou dos Açores (Gabriela era Directora Regional da Cultura) para Lisboa. "Chegámos ontem dos Açores para poder assistir à tomada de posse", explicou José Manuel Canavilhas, acrescentando: "Agora é tempo de tratar de toda a logística. Essa tem sido a grande diferença dos últimos dias. Como a minha mulher não tem tempo, estou a tratar de trazer todas as nossas coisas para Lisboa. Estamos a fazer as malas para regressar". José Manuel garantiu ainda que, durante a cerimónia "estávamos todos muitos calmos". Uma calma que nos próximos tempos será radicalmente alterada pelos ritmos governativos de Gabriela Canavilhas e que podem fazer rarear os serões em família, ao som do piano, e os momentos de inspiração na paz do seu refúgio de Aviz, no Alentejo.

GABRIELA CANAVILHAS - Pianista

De origem Açoriana, iniciou os estudos musicais no Conservatório Regional de Ponta Delgada. Terminou o Curso Superior de Piano no Conservatório Nacional de Lisboa, na classe do Prof. António Menéres Barbosa. Estudou Música de Câmara com Olga Prats, e posteriormente com Riccardo Brengola, na Accademia Musicale Chigiana (Siena, Itália), onde lhe foi atribuído o Diploma de Mérito em Música de Câmara.
Gabriela Canavilhas é a directora artística do Festival MusicAtlântico nos Açores, desde a primeira edição, em 1999.
É licenciada em Ciências Musicais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Desde Janeiro de 2007, é membro do Conselho Directivo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).

Entre Novembro de 2003 e Novembro de 2008, foi Presidente da Direcção da Orquestra Metropolitana de Lisboa, Presidente do Conselho Directivo da Academia Nacional Superior de Orquestra e Directora Pedagógica do Conservatório Metropolitano de Música de Lisboa e da Escola Profissional Metropolitana.
Desde o dia 1 de Dezembro de 2008 exerce as funções de Directora Regional da Cultura dos Açores



Gabriela Canavilhas, despertou-me a atenção não só pela sua Beleza e Simpatia Natural, como pelas suas Belas Palavras de Homenagem a José Saramago, durante o seu velório.

Sei que quando morrer terei apenas os sentimentos saudosos e sinceros das 3 pessoas que mais AMO(até hoje).
Mas gostaria que houvesse alguem que me dedicasse alguns pouquissimos segundos com pouquissimas palavras, mas tão belas como as proferidas pela nossa actual Ministra da Cultura a Saramago.
Perdoem-me este meu devaneio. Não, não sou Megalomana!
Também não julguem que é por vaidade ... é sim apenas e só pelo sentimento e pela Beleza!

Pilar del Rio

Tomei conhecimento/ descobri, PILLAR DEL RIO!

Procurei saber mais sobre ela... como é Espanhola, há pouca coisa.

Para mim ... é daquelas pessoas com quem eu me gostaria de parecer e de me relacionar.
Ela representa tudo o que eu não sou mas gostaria de ser ... meiga, calma, destinta, segura, delicada, serena...

QUE SEJA FELIZ!

O grande amor nos tempos de glória de José Saramago foi a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Río, que conheceu em 1986, quando ela se deslocou expressamente a Lisboa para o conhecer.
O interesse de Pilar despertara aquando numa visita a uma livraria em Sevilha, deparou com o livro ‘Memorial do Convento’ numa estante. O título cativou-a. Comprou-o e “devorou-o”.
Após essa primeira abordagem, Pilar, que então trabalhava para a TVE na Andaluzia, leu tudo o que estava traduzido de Saramago.
Ao terminar ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis', a jornalista, que afirmou ter sentido "uma comoção muito forte", decidiu deslocar-se a Lisboa.

Saramago reconhece o papel então desempenhado por essa obra junto de Pilar ao dizer em 2002, numa entrevista: "Pelo menos dessa vez toquei no tecto (...) e toquei algo mais (...). Refiro-me a Pilar, claro está..."
O primeiro contacto entre ambos, ocorrido no Hotel Mundial, onde ela se hospedou, aguardando a visita de um homem que imaginara de baixa estatura.
… Deu origem ao intercâmbio de livros e ideias, domínios em que detectaram a existência de grandes afinidades, designadamente de natureza política.

Saramago também a visitou em Espanha. Em 1987 passaram a viver em conjunto e no ano seguinte casaram em Portugal, cerimónia que repetiram em Espanha em 2007, na terra natal de Pilar, Castril.

Esta relação atenuou a estrita reserva mantida até então pelo escritor no que respeita à sua intimidade.

A sua filha, Violante, reconheceu em 1999 que Pilar del Río o tornou "mais acessível, mais aberto, mais capaz de derramar os sentimentos."

No entanto, o papel que a jornalista espanhola exerceu na vida do escritor ultrapassou em muito esse domínio.

O ano em que Saramago conheceu a jornalista espanhola foi aquele em que se extinguiu a sua precedente relação amorosa, mantida desde 1966 com a escritora Isabel da Nóbrega. Curiosamente, tinha sido precisamente em 1966 que Saramago retomara a carreira literária, depois de uma paragem de 19 anos. E fê-lo não em prosa, mas com poesia - ‘Os Poemas Possíveis'.

A solidez e durabilidade da ligação então encetada transparece nas dedicatórias "a Isabel" que figuram em obras publicadas nesse período, designadamente os êxitos editoriais ‘Levantado do Chão' e ‘Memorial do Convento'.
Isabel da Nóbrega era "filha das chamadas boas famílias". Provinha, assim, de um meio social estranho à vivência e convicções de Saramago. No passar dos anos a relação degradou-se "com o convívio do dia-a-dia".
As reedições de obras ocorridas depois do termo da longa ligação amorosa deixaram de incluir as dedicatórias a Isabel.

Mais raras ou inexistentes são as menções feitas pelo próprio e por terceiros à ligação de Saramago com Ilda Reis. Casaram-se em 1944, tinha Saramago 22 anos de idade. Ilda Reis era natural de Lisboa e trabalhava como dactilógrafa da CP, tendo mais tarde tornado-se conhecida como pintora. Divorciaram-se em 1970. A filha de ambos, Violante, única descendente de Saramago, nasceu em 1947 e licenciou-se em Biologia.

A 17 de Outubro de 1998, no jornal «Público», Pilar del Rio descrevia como se tinha apaixonado pelo português: … “Uma certa tarde de 1986, em que fui com umas amigas a uma livraria, descobri a obra, vi um livro chamado “O Memorial do Convento” e achei curioso o título. Li uma página, li o arranque, comprei, fui para casa e devorei-o”.
Logo a seguir, comprou toda a obra traduzida em espanhol. Conheceram-se ainda em 1986, juntaram-se em 1987 e casaram-se em 1988.
Os dois mudar-se-iam para Lanzarote, a última morada do autor.
A 3 de Junho de 2008 celebrou-se aquele que o escritor considerou «terceiro casamento», quando Pilar del Rio passou a ser nome de Rua na Azinhaga, Golegã – Ribatejo (terra Natal de Saramago), fazendo esquina precisamente com Saramago. A musa do autor tornava-se, também «filha adoptiva» da terra-natal do seu amado.



A esposa de Saramago, Pilar del Rio, leu um trecho
de ‘O evangelho segundo Jesus Cristo’ no velório do
escritor

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Morreu José SARAMAGO

Morreu José Saramago: “Desapareceu um Enorme Escritor Universal”

O escritor Português e Prémio Nobel da Literatura, em 1998, José Saramago, morreu na 6ª. Feira, dia 18-06-2010, aos 87 anos, em Lanzarote, Canárias, Espanha.

Segundo Pilar del Río, Saramago passou mal após tomar o café da manhã e recebeu auxílio médico, mas não resistiu e morreu.
Saramago, encontrava-se doente em estado "estacionário", vitima de uma Leucemia, mas a situação agravou-se.
Nos últimos anos, havia sido hospitalizado em várias oportunidades devido a problemas respiratórios.

"Hoje, sexta-feira, 18 de Junho, José Saramago faleceu às 12h30 horas [horário local] na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila", diz uma nota assinada pela Fundação José Saramago e publicada na página do escritor na Internet.

Seu corpo será cremado e as cinzas ficarão em Portugal, como indicou o administrador da Fundação José Saramago.

"Hoje, 6ª. Feira, 18 de Junho, o corpo de José Saramago está sendo velado desde a tarde, em uma Biblioteca que leva o seu nome, na Cidade de Tías, na Ilha Canária de Lanzarote.
O prefeito José Juan Cruz decretou três dias de luto.

Amanhã, Sábado, os restos mortais de Saramago devem ser transportados a Lisboa por um avião enviado pelo Governo Português.
Em cortejo fúnebre, o corpo será levado até ao Salão de Honra da Prefeitura de Lisboa, onde permanecerá até Domingo, quando será cremado no cemitério do Alto de São João, em Lisboa.

Em 1980 publicava ‘Levantado do Chão’ – uma espécie de romance de iniciação.
Logo depois, e na sequência do admirável ‘Memorial do Convento’, Saramago escreve e publica, entre outros, ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’ (1984), ‘A Jangada de Pedra’ (1986) e ‘História do Cerco de Lisboa’ (1989)”.

Após os anos 80, “a mais fecunda década da escrita literária de Saramago", abre-se um tempo de tematização de sentidos, de valores e de temas com um alcance universal. É então, sobretudo, que o registo da alegoria (expressão de uma ideia através de uma imagem, um quadro, etc) entra decididamente na escrita literária de Saramago;
É por isso que romances como ‘Ensaio sobre a Cegueira’ ou ‘Todos os Nomes’ são e serão lidos como grandes romances da Literatura Universal.

O último crente

Saramago foi, na sua história pessoal e de escritor, “o que de mais próximo tivemos com a Gata Borralheira, uma gata borralheira rústica, que nasceu num berço pobre e chegou àquele trono de Estocolmo”.
O prémio Nobel, foi importante para ele, mais foi-o também para o País, por ter sido o primeiro Nobel da Literatura Portuguesa e porque as probabilidades de que venhamos a ter outro não são muitas...

Uma vida literária

Saramago nasceu na Aldeia de Azinhaga, na Golegã, a 16 de Novembro de 1922, e apesar da mudança com a família para Lisboa, com apenas dois anos, o local de nascimento seria uma marca constante ao longo da sua vida, como referiria na Academia Sueca em 1998, aos 76 anos, quando da sua distinção com o Nobel da Literatura. A austeridade material da sua infância, contraposta a uma riqueza humana que o marcaria indelevelmente, seria um dos pontos fulcrais do discurso, onde destacou longamente a avó Josefa e o avô Jerónimo.

... Foi estudante no Liceu Gil Vicente, que é obrigado a abandonar por dificuldades económicas, matriculando-se na Escola Industrial Afonso Domingues, termina em 1939 os estudos de Serralharia Mecânica.
Como primeiro emprego, trabalha nas oficinas do Hospital Civil de Lisboa.
A paixão pela literatura é alimentada de forma autodidacta, nas noites passadas na Biblioteca do Palácio das Galveias.
Nos anos seguintes, transitará para os serviços administrativos do Hospital Civil, antes de se ligar profissionalmente à Caixa de Abono de Família do Pessoal da Indústria da Cerâmica.

Em 1944, casa com a gravadora e pintora Ilda Reis.
A filha única do casal, Violante Saramago Matos, nasceria em 1947, o mesmo em que publica a sua primeira obra, “Terras do Pecado”. O título original, “Viúva”, foi alterado por imposição do editor da Minerva. Saramago desvaloriza o livro, que nunca incluiu na sua bibliografia. Uma das razões apontadas pelo seu autor para a exclusão foi, precisamente, a alteração forçada do título. “Clarabóia”, que seria o sucessor de “Terras do Pecado”, foi recusado pelo seu editor e permanece inédito até hoje.

A partir de 1955, Saramago começa a desenvolver trabalho de tradutor, dedicando-se a nomes como Hegel ou Tolstoi. O regresso à edição dar-se-ia mais de uma década depois. Em 1966, altura em que ocupava o cargo de editor literário na Editorial Estúdio Cor, lança o livro de poesia “Poemas Possíveis”. Então um autor discreto no panorama literário nacional, continuaria a exprimir-se em poema nas obras seguintes, “Provavelmente Alegria” (1970) e “O Ano de 1993” (1975).

Crítico literário na “Seara Nova” a partir de 1968, torna-se no ano seguinte membro do Partido Comunista Português, do qual será, até à morte, um dos mais distintos militantes. A partir do final de década de 1960 desenvolve trabalho intenso na imprensa, principalmente enquanto cronista, no "Diário de Notícias" ou "Diário de Lisboa", no jornal "A Capital", no "Jornal do Fundão" ou na revista "Arquitectura".

Em 1975, em pleno PREC, torna-se director-adjunto do "Diário de Notícias". Esta função representaria o auge do seu percurso jornalístico e, paradoxalmente, seria fundamental para o seu regresso à literatura e ao romance, o género em que se notabilizaria definitivamente.
A sua direcção-adjunta seria marcada pelo polémico saneamento de jornalistas que se opunham à linha ideológica do jornal. Demitido no 25 de Novembro, acusado de aproveitar a sua posição para impor no diário os desejos políticos do PCP, toma uma decisão que transformaria a sua vida: Não mais se empregaria! A partir de então, seria um escritor a tempo inteiro.

“Manual de Pintura e Caligrafia”, três décadas depois de “Terras do Pecado”,(1947) foi a primeira obra de José Saramago após se dedicar em exclusivo à escrita. Com os livros seguintes, “Levantado do Chão” (1980), >“Memorial do Convento” (1982) e "O Ano da Morte de Ricardo Reis"(1984), torna-se escritor respeitado pela crítica e conhecido pelo público.
É neles que define o seu estilo enquanto romancista, marcado pelas longas frases, pela ausência de travessões indicativos de discurso e pela utilização inventiva da pontuação.
Nos seus livros, personagens fictícias surgem em convívio com personalidades históricas, como no supracitado “Memorial do Convento” ou em “História do Cerco de Lisboa” (1989), e são criados cenários irreais para questionar e problematizar a actualidade, como em “A Jangada de Pedra” em que a Península Ibérica se separa do continente europeu, errando pelo Atlântico.

Quando, em 1991, lançou para as livrarias o seu Cristo humanizado de “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, Saramago esperaria certamente a contestação dos sectores católicos da sociedade portuguesa, não esperaria o que aconteceu para além disso.
O veto oficial do romance, ao Prémio Literário Europeu, pela voz do então Sub-secretário de Estado da Cultura: Sousa Lara, do governo liderado por Aníbal Cavaco Silva, precipitou a sua saída de Portugal.
Em 1993, auto-exilou-se na ilha de Lanzarote, nas Canárias, com Pilar del Rio, a jornalista espanhola com quem casara em 1988.

As primeiras obras em Lanzarote seriam “Ensaio Sobre a Cegueira” (1995), ficção apocalíptica que o realizador Fernando Meirelles adaptaria ao cinema treze anos depois, e “Todos os Nomes” (1997).
Um ano depois, seria alvo da maior distinção da sua carreira.

A 9 de Outubro de 1998, José Saramago foi anunciado vencedor do Prémio Nobel da Literatura, o primeiro atribuído a um escritor português.
Seria o impulso decisivo para a sua ascensão a figura literária global e o premiar de uma obra que se dedicou a explorar e questionar a natureza humana de diversos ângulos e em diversos cenários.
Em 2002, em entrevista ao diário britânico Guardian, confessava, "provavelmente sou um ensaísta que, como não sabe escrever ensaios, escreve romances." Não só, para além dos romances e da poesia, deixa obra enquanto dramaturgo, assinando as peças teatrais "Que Farei Com Este Livro" ou "In Nomine Dei".

Saramago, que o influente crítico literário norte-americano Harold Bloom considerava o mais talentoso romancista vivo, manteria nos anos seguintes uma cadência editorial regular.
“A Caverna” (2000), “O Homem Duplicado” (2002),
“As Intermitências da Morte” (2005) e “A Viagem do Elefante” (2008)
foram lançados enquanto o escritor se assumia também, enquanto voz interventiva, muitas vezes polémica, no espaço mediático mundial.
Converteu-se inclusivamente à blogosfera em 2008, aos 86 anos - (blog.josesaramago.org), de onde lançou por exemplo repetidos ataques a Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro italiano que classificou de "vírus". Nada de novo num homem que apreciava a discussão, que erguia alto a voz na defesa das suas ideias. Anos antes do episódio Berlusconi, denunciara aquela que considerava ser a política criminosa do Estado Israelita relativamente à Palestina, acusando Israel de “não ter aprendido nada com o Holocausto”, classificara a globalização como “o novo totalitarismo” e surpreendera os camaradas de partido ao não alinhar no apoio aos dirigentes cubanos que condenaram à morte três responsáveis pelo desvio de um "ferry". Em Portugal, o iberista convicto polemizou ao declarar que Portugal e Espanha estariam destinados a fundir-se num único país.

“Caim” (2009), o seu último romance, acompanhado das declarações feitas aquando do seu lançamento, em que classificou a Bíblia como “um manual de maus costumes”, foi a derradeira polémica (e provocação) de Saramago. ...

...“Se eu tivesse morrido aos 63 anos antes de ter conhecido Pilar, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora”.
É assim, a partir de uma bela declaração de amor de José Saramago à esposa Pilar Del Río, que o diretor português Miguel Gonçalves Mendes inicia o filme 'José & Pilar', documentário inédito sem data de estreia prevista...

É um retrato íntimo do escritor - que morreu aos 87 anos - ao lado da jornalista espanhola, 28 anos mais jovem. Os dois se conheceram em 1987 e completavam-se. “Ela lhe deu uma segunda vida. Ela é lutadora, vive a batalha de mudar o mundo, enquanto ele era português: melancólico, sereno... Uma combinação perfeita!

"Algumas pessoas dizem que José era um incendiário. Mas Saramago não era incendiário, era simplesmente lúcido!
E tentou, dentro do possível, melhorar o mundo através do impacto que as suas opiniões podiam ter naqueles que as ouvissem.
Ao contrário da arrogância que algumas pessoas afirmavam, ele era de uma doçura e simpatia incríveis.
Tinha um enorme sentido de humor, que era brilhante.
Mas, como ele dizia: "... não tinha culpa da cara que tinha”.

DESCANSE EM PAZ