quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

JALEX piorou

Ontem o meu amigo JAlex piorou muito.
Começou a ter alucinações.
O cancro do pulmão espalhou-se já por todos os outros órgãos: o outro pulmão, o cérebro, o fígado...
Foi-lhe retirada toda a quimioterapia.
Não o internaram no H. Sta. Maria onde tem sido sempre seguido.
Estamos em retenção de custos, no país.
A Rql tem de ter muita coisa para eu gostar dela.
Moveu céus e terra e perto da meia noite conseguiu que ele fosse internado no Hospital da Luz.
É caro, é um facto: 400€? 500€? por dia... não faz mal... ele felizmente tem posses para fazer fase a esses valores.
Afinal o importante é pelo menos ... morrer com alguma dignidade!
Saudades para ti Meu Amigo!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"Que parva que eu sou" - Os Deolinda

Ana Bacalhau, vocalista dos Deolinda – 33 anos – Fev./2011

Sou da geração sem remuneração
E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar

Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
Sou da geração "casinha dos pais"
Se já tenho tudo, para quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
Sou da geração "vou queixar-me pra quê?"
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou!
Sou da geração "eu já não posso mais!"
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar


Já li e ouvi diversas opiniões sobre a canção dos "Deolinda", cuja letra se encontra acima transcrita e que ainda nem está gravada em qualquer disco ou CD.

Como exemplo, se entrarem aqui:
http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/248725-geracao-parva
terão várias opiniões a respeito de um comentário de uma tal Ana de 27 anos que não tem tido muita sorte na vida profissional, pese embora e, segundo sua própria informação, seja esforçada.
Não vou aqui efectuar qualquer juízo de valor, já bastam tantos outros...
Mas o que eu pretendo deixar aqui testemunhado é a grandeza da canção dos "Deolinda" que despertou tantas e tão diferentes mentalidades.
Bem hajam!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Perplexidade

A criança estava perplexa.
Tinha os olhos maiores e mais brilhantes do que nos outros dias, e um risquinho novo, vertical, entre as sobrancelhas breves.
«Não percebo», disse.
Em frente da televisão, os pais.
A mãe fazia tricô, o pai tinha o jornal aberto.
... A menina, porém, sentada no chão, olhava de frente, com toda a sua alma.
E então o olhar grande a rugazinha e aquilo de não perceber.
«Não percebo», repetiu.
«O que é que não percebes?» disse a mãe por dizer, no fim da carreira, aproveitando a deixa para rasgar o silêncio ruidoso da televisão, em que alguém espancava alguém com requintes de malvadez.
«Isto, por exemplo.»
«Isto o quê»
«Sei lá. A vida», disse a criança com seriedade.
O pai dobrou o jornal, quis saber qual era o problema que preocupava tanto a filha de oito anos, tão subitamente.
Como de costume preparava-se para lhe explicar todos os problemas, os de aritmética e os outros.
«Tudo o que nos dizem para não fazermos é mentira.»
«Não percebo.»
«Ora, tanta coisa. Tudo. Tenho pensado muito e...Dizem-nos para não matar, para não bater. Até não beber álcool, porque faz mal. E depois a televisão...Nos filmes, nos anúncios...Como é a vida, afinal?»
A mão da mãe largou o tricô e engoliu em seco.
O pai respirou fundo como quem se prepara para uma corrida difícil.
«Ora vejamos,» disse ele olhando para o tecto em busca de inspiração.
«A vida...»Mas não era tão fácil como isso falar do desrespeito, do desamor, do absurdo que ele aceitara como normal e que a filha, aos oito anos, recusava.
«A vida...», repetiu.

Maria Judite de Carvalho

Nasceu em Lisboa, em 1921. Em 1959, casou com o escritor (entre outras profissões) Urbano Tavares Rodrigues. Nesse mesmo ano publicou "Tanta Gente Mariana" que foi considerado, na época, como Prémio Revelação. Em 1961 publicou "As Palavras Poupadas" que teve o Prémio Camilo Castelo Branco. Foi redactora dos jornais "Diário de Lisboa", "O Jornal", "O República" e " O Século"... Faleceu em 1998.

Tal como no texto acima, também eu, ontem, me senti perplexa, perante a atitude de uns "amigos" a quem fui visitar, devido a ele estar muito mal e, a quem durante o dia participei essa minha intenção.
Essa minha perplexidade deveu-se ao facto de me não quererem abrir a porta... (trim-trim-trim - nada) não pretendiam visitas ... e como eu deixei o telemóvel em casa a carregar, não conseguiram avisar-me sobre essa alteração de disposição... de salientar que o meu marido estava comigo (sabiam) e também sabem o seu contacto... chovia copiosamente... perante a não abertura de porta e não estando nós a perceber, lembrou-se o meu marido de telefonar do seu telemóvel para a "amiga"... "Não pretendo que vocês venham... ele não quer ver ninguém... vá entrem lá ... não sei o que ele vai pensar...."

Demorou 5 minutos o contacto com ele e outros 5/10 minutos com ela...

Que sejam Felizes... (se conseguirem) eu por mim ... não entendo!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dia dos Namorados


O Amor quando se revela


Fernando Pessoa


O amor, quando se revela,

Não se sabe revelar.

Sabe bem olhar p'ra ele,

Mas não lhe sabe falar.


Quem quer dizer o que sente

Não sabe o que há de dizer.

Fala: parece que mente;

Cala: parece esquecer;


Ah, mas se ele adivinhasse,

Se pudesse ouvir o olhar,

E se um olhar lhe bastasse

Pra saber que o estão a amar!


Mas quem sente muito, cala;

Quem quer dizer quanto sente

Fica sem alma nem fala,

Fica só, inteiramente!


Mas se isto puder contar-lhe

O que não lhe ouso contar,

Já não terei que falar-lhe

Porque lhe estou a falar...

Balada da Neve (Augusto Gil)


Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva?
Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania...
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha buliana
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver.
A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve,
branca e fria...
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime
e traçana brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa ainda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim,
fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Agustina

Ando há meio ano para comprar uns certos livros da Agustina Bessa Luís, mas a verdade, verdadinha, é que eles são um pouco caros e, tem havido sempre algo mais importante que os tem ultrapassado descaradamente e, o resultado é que eles vão ficando para trás, na lista de prioridades.

Ora acontece que na passada 2ª. Feira, mais propriamente no dia 07/02/2011, enchi-me de "brio" e lá fui comprar pelo menos um dos seus livros que tenho na tal lista.
Comprei o livro "Memorias Laurentinas".
Deixo aqui a sinopse e estou ansiosa por dar inicio a sua leitura, depois partilharei a minha opinião.

SinopseAs Memórias Laurentinas, ou as memórias dos Lourenços, cobrem toda uma época de narrativa pessoal em que se registam os costumes e o sentimento da tradição duma região cara à autora.
Baseadas num diário de família, em que os episódios seguem a corrente da história, mantendo a distância suficiente para não serem arrastados por ela.
Memórias Laurentinas são um seguro de vida contra o esquecimento. As coisas mudam, os lugares também. Mas ficam os apontamentos necessários para estimular a imaginação dos leitores.
O Douro, o Porto, os sítios de Castela, os tempos de África, são personagens atrás de personagens humanas.
É toda uma rede de realidades meio sonhadas que nos barram o passo demasiado comprometido às realidades vividas.
A leitura é mais jovial do que triste, e até a tristeza se reveste duma faixa de saudade que a faz suspensa dos abismos do tempo.
Leitura para adultos, tendo junto ao coração as gerações futuras...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Conflito de Gerações

De vez em quando, não é fácil o entendimento mútuo, chegando a dar origem, á incompreensão, verificando-se aquilo que se tem chamado conflito de gerações.
O problema é antigo e deve-se em parte, á rápida evolução que caracteriza a sociedade, principalmente a dos nossos dias.
É perfeitamente compreensível e natural que os jovens e os adultos vejam as coisas de modo diferente. Sempre assim foi.
Compete aos pais, facilitar o entendimento com flexibilidade e bom senso, evitando esses possíveis conflitos, mas nem sempre é assim tão fácil. A vida muda e há muitas coisas novas que talvez não nos agradem.
Em variadas ocasiões, os conflitos aparecem porque se dá importância a ninharias que logo, logo, se superam.
Mas nem tudo depende dos pais, os filhos também têm que fazer alguma coisa de sua parte.
Aprendam também os filhos a não dramatizar, a não representar o papel de incompreendidos.
A família unida é o pretendido.
Há atritos, diferenças... mas isso são coisas banais que até contribuem para dar sabor aos nossos dias. São insignificâncias que o tempo supera sempre.
Depois, bem depois, só fica o real, o amor, um amor verdadeiro que leva a que se preocupem uns com os outros, a adivinhar um pequeno problema e a sua solução mais delicada.
Isto é a base e a essência da família.

Sejam Felizes!