terça-feira, 29 de novembro de 2011

FADO - Património imaterial da humanidade

Há 2 dias atrás:


Fado é Património Imaterial da Humanidade - Decisão da UNESCO acaba de ser conhecida em Bali, Indonésia - 27- 11- 2011 - 12: 20


Penso que já tudo foi dito e escrito sobre o tema!

Portugal e principalmente Lisboa está de PARABÉNS!



Como já cá ando há mais de meio século e, porque vivi durante alguns anos num bairro popular, já presenciei o fado ser bem tratado pelas pessoas mais idosas e odiado pelos jovens; depois passou a ser repudiado por todos e, há já alguns anos atrás que tem vindo a ser bem tratado por todos.

É um Orgulho! Eu por mim, sempre gostei, mesmo contra "ventos e marés". Sempre vivi no meio de pessoas que o cantavam lindamente. Há-os para todos os gostos: com guitarra portuguesa, com viola, com orquestra, gingão, arrastado, alegre, triste, vadio, amador, profissional, etc. etc...

Tudo depende de quem o canta.

Aqui vos deixo alguns

Aquele abraço!

http://letras.terra.com.br/carlos-do-carmo/483792/
http://www.youtube.com/watch?v=9hY72be9ds0
http://www.youtube.com/watch?v=6Qvr87le6fk
http://www.youtube.com/watch?v=RaTjzSTSVL0
http://www.youtube.com/watch?v=Djc3151ebcs

sábado, 26 de novembro de 2011

Professor João Caraça - Vai dirigir a FCG em Paris - 2012

Meus filhos, fizeram os seus mestrados no ISEG e, um dos professores que tiveram foi o Professor João Caraça, o qual tratam carinhosamente por "Famoso Professor" e de quem não perdem, sempre que possível, a oportunidade de sobre ele falarem...

A partir de Janeiro do próximo ano, o Sr. Professor, vai para Paris dirigir a Fundação Gulbenkian. Para comprovar, aqui fica isto

Bem Haja!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

"O operário em construção"

Há uns dias atrás, recebi um mail de uma amiga com esta mensagem:
"Lindo... tomara que em Portugal houvesse alguém como ele, para tomar as rédeas, antes que nos afundemos... " e vinha acompanhada disto:
Escutai Doutorzinhos.
https://www.youtube.com/watch?v=or-LDiB5Ww4&feature=related

De facto o LULA é único!
Dedico-lhe "O operário em construção" de Vinicius de Moraes

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
- Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão
-O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.

E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
- "Convençam-no" do contrário
-Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que reflectia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objectos
Produtos, manufacturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fracturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

Fiquem bem! Um Abraço!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Capitulo I - Portugal no inicio do século XX

A vida em Lisboa

“Lá Vai Lisboa!
Com a saia cor do mar
E cada bairro é um noivo
Que com ela quer casar…”



O quotidiano português do início do século XX, pode-se afirmar, sem qualquer esforço, como sendo claramente periférico. Vive-se um ambiente cultural mesquinho e medíocre, sem horizontes, tradicionalista, onde a ruralidade é mais forte que a urbanidade.
A implantação da república, a 5 de Outubro de 1910, permitiu uma maior consciencialização do atraso de Portugal em relação á maioria das nações da Europa.
Vive-se de intrigas lisboetas, sem força para alterar radicalmente mentalidades e, muito menos, atitudes e gostos por todo o país, que continua apático e indiferente.
Vive-se num clima de marasmo.
Lisboa, não passa de uma cidade de bairros: Alfama, Madragoa, Castelo, Mouraria, Alcântara, Bica, Bairro Alto, entre outros, os quais hoje se designam de “Históricos ou Típicos”, devendo-se essa sua construção, à zona ribeirinha e ao declive acentuado de colinas. Tendo assim originado certas actividades profissionais: varinas, pescadores, àguadeiros, criadas, lavadeiras, marinheiros, fadistas, etc., que se distraiam em bailes e arraiais, ao som de danças, marchas e fados.
Com algum escândalo e incompreensão geral, irão aparecer, obrigatoriamente, os primeiros “modernismos”, trazidos por jovens artistas portugueses que estagiaram em Paris, como os casos de Amadeu de Sousa Cardoso, José de Almada Negreiros, e, entre outros, o maior poeta do século XX, Fernando Pessoa, com os seus heterónimos, agrupados todos em torno da célebre revista "Orpheu".
Espalham, então, manifestos revolucionários, organizam conferências visionárias, publicam poesias futuristas, de poemas utópicos, e, expõem, no meio da incompreensão, de burgueses ignorantes e boçais, várias obras de grande frescura, inovadoras, inéditas, desconcertantes.
A 28 de Maio de 1926, um golpe militar pôs termo á instabilidade política e á ruinosa gestão das finanças deste país, situação criada ao longo dos últimos 16 anos de república.
O novo regime, autoritário, deu inicio a uma longa ditadura, reforçando os poderes da censura, o que acarretou inevitáveis consequências ao nível das artes e não só. Começa pois, o “Estado Novo”, designação adoptada por ele mesmo, o novo regime.
Portugal, nos anos 30, encontra-se em regime totalitário do Salazarismo, o auto-designado Estado Novo, uma ditadura de “brandos costumes".
Porém, os movimentos autoritários de direita existem, à época, por toda a Europa.
E é bem aqui na cidade, bem no coração de um Bairro popular que nasce, em 1930, um menino a quem deram o nome de Argentino.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Nazismo - NUNCA MAIS!!!!!!!

É bom que ninguém se esqueça!
É bom que ninguém tenha a memoria curta!
Não é necessário criar ódios de estimação, mas por favor que o mundo não esqueça que isto aconteceu mesmo.
Espero sinceramente que nada disto se volte a repetir!
Um abraço!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Roubo-te um beijo

Eu hei de ir à tua casa
para me dizeres como é...
e beber do teu amor
numa chávena de café

Vou rodar a tua saia
ao dançarmos na varanda
vou mostrar à vizinhança
que não morre a minha esperança

Roubo-te um beijo
depois de roubado é meu
faço uma cena, como vi lá no cinema...
nesse dia, se tiver um beijo teu.

Eu hei de ir à tua casa
e dizer tudo o que sinto
vou dizer toda verdade
desta vez, juro, não minto

Segredar no teu ouvido
o que tenho para te dar
envolver-te num abraço
ver o dia madrugar.

Roubo-te um beijo
depois de roubado é meu
faço uma cena, como vi lá no cinema
nesse dia, se tiver um beijo teu.

Todo o beijo que é roubado
tem 1000 anos de perdão
mas só se for guardado
junto ao coração

Roubo-te um beijo
depois de roubado é meu
faço uma cena, como vi lá no cinema
nesse dia, se tiver um beijo teu



André Sardet