segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

LÍDIA JORGE - assalto "MENSAGEM A MEIO DA NOITE"

Lídia Jorge nasceu em Boliqueime, Loulé, Algarve. Foi professora. Foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social e integra o Conselho Geral da Universidade do Algarve. Começou a publicar livros na decada de 80. Mas foi com o livro "A costa dos murmúrios" em 1988, livro que reflecte a experiência colonial que passou em África, em Angola e Moçambique, durante o último período da "guerra colonial" que, a autora, confirmou o seu destacado lugar no panorama das Letras portuguesas. Em 2004, esta obra, foi adaptada ao cinema.

Maravilhoso texto!
A propósito do assalto que lhe fizeram a casa, a escritora Lídia Jorge escreveu, para o blog "Casal das Letras", o texto que abaixo se reproduz.
escritora-lidia-jorge
Uma "mensagem a meio da noite"
Queridos amigos, tanto que eu queria não vos desiludir, cumprindo a tempo e horas o que vos prometi com solenidade, mas infelizmente irei continuar em falta, e desta vez a culpa traz dupla assinatura pois não é só minha, ainda que não conheça a quem imputá-la. Confuso? Compreenderão se vos disser que ao regressar a Lisboa encontrei a casa assaltada.

Sim, meus amigos, a porta estava entreaberta, como se um estranho outro dono nos esperasse, e a fechadura não havia sido violada. Como explicar? Uma pessoa entra pela casa adiante, com a consciência perfeita do momento, o domínio sobre os maxilares, perfeito, e os músculos dos joelhos, intactos. O coração nem bate um pouco mais, prossegue o seu caminho, tiquetaque, tiquetaque, relógio orgânico habituado a muita coisa, e aí vai ele, inalterado. O coração fala consigo mesmo — Ficou o computador? Ficou. Ficaram as fotografias? Ficaram. Ficou o frigorífico velho? Sim. O passa-discos, também ficou? Que bom. E também ficou o televisor. E ficou o coelhinho de chocolate que me inspirou um conto, há dois anos. E a caneta de rosca, e as rosas de sarapilheira, e o caderno encarnado.

Então uma pessoa olha para o caos instalado, a dança dos objectos que andaram de um lado para outro, cruzando-se no espaço, e sente uma espécie de anestesia. Não dá para pensar, só dá para ver. Pois no rebuliço, os pechisbeques voaram para cima da cama, os recibos das finanças foram parar nos portais, as cartas dos amigos ficaram debaixo dos óculos velhos, alguns deles saíram das caixas, e na confusão, de repente, a pessoa descobre que os aros estavam mais do que ultrapassados. Há quanto tempo estariam os óculos guardados no fundo da gaveta agora vazia? Aliás, todas as gavetas estão completamente vazias, e o chão está completamente juncado. Onde colocar os pés? O que estará debaixo do monte das informações bancárias, umas vinte, que parecem ter-se multiplicado por mil? E as moedas canadianas, e os reais desprezados? Que curioso é o bater do nosso coração. Tiquetaque, tiquetaque, sem alteração alguma.

Pois por que não? Há revelações estranhas nesta desarrumação dos objectos. Umas velas que não apareciam há vinte anos ocupam lugar preponderante por cima de cintos e meias. Cuecas velhas que uma pessoa guardou só porque tinham uma ponta de renda, estão largadas sobre o busto esverdeado do Bach. Uma almofada em forma de lagarta cobre uma caixa de vidro de onde terá saído alguma coisa que foi parar dentro de sapatos. Cartas, tesouras, sapatos. E de repente, a vida vem ao nosso encontro e fala do tempo que passa, e da irrelevância dos objectos guardados, como se eles apenas servissem para nos dar recados de que não há recados. Mas neste ponto, meus amigos, eu faço uma pausa.

Pois será que não haverá mesmo recados? Então o que sentirá uma pessoa que se infiltra na casa dos outros para procurar o que não lhe pertence? Será um método de vida? Uma táctica de dever? Um exercício de frieza? Um exercício de perversidade? Um dia, o Baptista-Bastos, na boa tradição romântica, chamou ao ladrão de “Senhor Ladrão”, e deu-lhe uns conselhos calmos. Pois também eu, ao regressar a casa e ao sentir que o ladrão deixou aqueles objectos que verdadeiramente mais amo no seu exacto lugar, fui assaltada por um sentimento semelhante, uma gratidão inexplicável por esse ladrão que só queria ouro e dinheiro, precisamente o que as pessoas da minha igualha não têm mais em casa, porque não têm em lugar nenhum.

E como uma romântica, que a seu tempo leu Os Miseráveis, comecei a pensar no Estado.

Inveterada, imaginei que não foi pessoa quem me assaltou a casa. Imaginei que foi o Estado quem veio pela calada da noite, meteu a chave falsa, rodou-a, silenciosa, o Estado empurrou a porta, o Estado pensou que havia uma fortuna nos lugares onde os cidadãos comuns costumam esconder as fortunas, o Estado enervou-se por só encontrar clips, cotão, recortes de jornais, murraça, e foi-se enfurecendo, foi atirando para o chão tudo o que encontrava na frente, na esperança de que a fortuna do cidadão de súbito saltasse do interior das páginas de um livro. Que ironia. O Estado a procurar ouro e divisas dentro das páginas de um livro. Que ridículo. O Estado cansou-se. O Estado ainda pensou derrubar o candeeiro, mas depois sentiu que havia visitado um cidadão insignificante, e achou que apenas perdera o seu tempo. O Estado sabe o que faz. O Estado abalou a procurar a sua sorte numa casa mais rica. Não falo só no meu Estado, falo também do Estado do visitante.

Quando cheguei a este ponto, de súbito o tiquetaque desorganizou-se, os joelhos deram de si, e felizmente que havia um Magnum Clássico no congelador. Ele permitiu, meus amigos, que eu abrisse este computador e vos explicasse por que razão, se acaso não me dispensarem, em face do exposto, de escrever um artigo para o vosso site, irei precisar de um tempo liberto desta presença dúbia que ainda permanece no interior da minha casa. De quem eu tenho pena, se for gente, por quem eu sinto raiva, se for Estado.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Voltam os velhos costumes?

"... Com o objectivo de aumentar os Níveis de Segurança das nossas Instalações, quer ao nível dos
Utilizadores quer ao nível dos nossos Bens e Bens à Guarda, vimos por este meio comunicar que, à
semelhança do que já acontece actualmente em outras Instalações do Grupo, os Vigilantes da
Empresa de Segurança irão solicitar aleatoriamente às Viaturas e/ou Utilizadores, à
saída do empreendimento na Portaria, que lhes permitam vistoriar voluntariamente os interiores
das Viaturas (Ex: Bagageiras) e dos “Sacos / Mochilas” pessoais de que se façam acompanhar.
Com a implementação deste processo, estamos seguros de que conseguiremos alcançar um maior
Nível de Segurança para as nossas Instalações e para os Utilizadores do Empreendimento."

O texto acima pertence a uma circular de procedimentos e segurança, enviada a todos, na empresa onde já trabalho há vários anos.
E por diversas razões, recebi-o mal!
Lembro-me bem das "apalpadeiras", mulheres que trabalhavam em fábricas, cujo seu trabalho, era apalpar outras mulheres que trabalhavam com diversos produtos, para verificarem se levavam consigo alguns desses produtos, furtados já se vê. Não que alguma vez tenha trabalhado em empresas onde existissem essas mulheres, mas sempre ouvi falar sobre elas. 
Pessoas que se prestam a esses serviços, não me merecem qualquer consideração.
Trabalho nesta empresa há muitos anos e sempre tive cargos de responsabilidade e com alguma confidencialidade. A empresa possui inúmeras câmaras de vigilância espalhadas por todos os locais, tanto no interior como no exterior dos edificios. Há vigilância 24H00 por dia, bem como funciona igualmente a empresa, 24 sobre 24 horas. Não se conhecem muitos casos de roubos. E eu não aceito que me remexam nem no meu carro nem nas minhas coisas!
Se efectivamente a escolha é aleatória, posso até ter a sorte de nunca me vistoriarem as minhas coisas mas não me sujeito a acasos.
Pior é perceber que ninguém percebe a minha indignação.
Pior é perceber que ninguém, além de mim, sente a humilhação.
E tantos piores, tantos piores que, depois de muito matutar, encontrei a solução para o meu pesar.
O meu carro passou a ficar do lado de fora dos portões da empresa e eu, faço questão, de pouco ou nada trazer na mão para não terem a tentação de me vistoriarem. É que assim, evito indignar-me e consequentemente enervar-me e assim, poupo a minha saúde. Além de que, como o caminho é todo a subir e mesmo com alguma inclinação acentuada, e como andar faz bem á saúde, acabei por encontrar um bom exercício fisico. É, tenho mesmo de agradecer a opurtunidade que me deram de fazer um bom exercício físico logo pela manhã. Afinal, bem vistas as coisas, só estão mesmo é a vigiar e zelar pelo meu bem estar físico.
Um Abraço!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Espreitem, espreitem que vale a pena :)

Enviou-mo uma amiga e acreditem vale a pena, bem dispõe!
Afinal, estamos todos a precisar de rir um pouco!

MUITO BEM APANHADO!
http://sorisomail.com/email/298395/srprimeiro-ministro-termine-as-minhas-frases-nilton.html

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

É mesmo...


"Dá que pensar"
por Miguel Esteves Cardoso
«Na Europa, cada manifestação "do orgulho Gay" contou, em média, com 100.000 pessoas. Cada manifestação Contra a Corrupção teve, em média, cerca de 2.500 pessoas! Estatisticamente, fica provado que há mais gente a lutar pelo direito de levar no rabo, do que lutar para não ser enrabado.»

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

OBRIGADA!

A minha familia um Muito Obrigada!



For four years















Congratulations Mr. President...