domingo, 15 de março de 2026

"Pés de Barro" - Nuno Duarte

  
   
"Pés de Barro" é o romance de estreia de Nuno Duarte.
"Pés de Barro" é um retrato muito real dos anos 60 em Portugal, um país “Orgulhosamente Só”, frase proferida por Salazar, Primeiro Ministro há época...
"Pés de Barro" retrata bem a Sociedade Portuguesa durante a Ditadura Salazarista, e espelha a vida da Lisboa Operária dos anos 60, bem como o que representou a Guerra do Ultramar, a PIDE, a Pobreza e a falta de instrução escolar.
"Pés de Barro" é um livro que tem como base do seu enredo, a construção da Ponte sobre o Tejo, em Lisboa, a que então se chamou Ponte Salazar e que hoje conhecemos como Ponte 25 de Abril.
"Pés de Barro" é um livro com um estilo de escrita algo original, com a construção dos diálogos feita no discurso indireto e com uma escrita simples mas intensa e tão verdadeira que me tocou profundamente... ao ler, visualizava perfeitamente tudo... claro que sou dessa época, conheci bem toda a miséria da Capital e do país...

Recomendo a sua leitura!

Sinopse:

Estamos em 1962, num país "Orgulhosamente Só" e vem aí a construção da primeira ponte suspensa sobre o Tejo, para a qual vão ser precisos cerca de três mil homens. 
A obra irá mudar para sempre a paisagem da Capital, muito especialmente para quem vive em Alcântara, Bairro Típico de Lisboa, como é agora o caso de Victor Tirapicos, instalado na casa dos tios depois de ter envergonhado o pai com dois anos de cadeia só por ter roubado pão e batatas para fintar a miséria.

É, de resto, pelos olhos deste Serralheiro de 22 anos que veremos a ponte erguer-se um pouco mais todos os dias e, ali mesmo ao lado, partirem os navios cheios de rapazes para a Guerra do Ultramar, donde muitos acabarão por voltar estropiados, endoidecidos ou mortos.

Porém, apesar de a modernidade parecer estar a matar a vida e os costumes do Pátio Operário onde convivem (amigavelmente ou nem tanto) uma série de figuras inesquecíveis - entre elas o Mestre Sapateiro que faz as chuteiras para o Atlético Clube de Portugal e um velho culto que aprende a desler... Victor Tirapicos encontra o Amor de uma rapariga que é Muda mas consegue escutar o Planeta, pressentindo a derrocada da estação do "Cais do Sodré" e outra catástrofe ainda maior, que se calhar tem Pés de Barro e só acontece neste romance, mas bem podia ter acontecido...

segunda-feira, 9 de março de 2026

Beatriz da Conceição - "Sou um fado desta idade"


Fados são belas cantigas, 
alegres, amigas
Deixem de os cantar tristonhos, 
dolentes, medonhos

Façam os fados ativos 
se os querem ver vivos
Pode o fado ser eterno, 
Ritmado, alegre, 
bailado, moderno

Sou um fado desta idade
Saltadinho com viveza
Sabe bem não ter saudade, saudade, saudade
Saudade faz tristeza

Cá por dentro o sangue ferve
Á moleza vou dar fim
Sofre tanto que não serve, não serve, não serve
Não serve p'ra mim

Vamos, cantem este fado
Mexido, marcado
Fado assim é divertido
Pulado, batido

Tem em si um ar de festa, 
bem nossa, modesta
Mas que mesmo portuguesa
Perdeu a tristeza, ganhou em beleza

Sou um fado desta idade
Saltadinho com viveza
Sabe bem não ter saudade, saudade, saudade
Saudade faz tristeza

Cá por dentro o sangue ferve
Á moleza vou dar fim
Sofre tanto que não serve, não serve, não serve
Não serve p'ra mim

Sou um fado desta idade
Saltadinho com viveza
Sabe bem não ter saudade, saudade, saudade
Saudade faz tristeza

Cá por dentro o sangue ferve
Á moleza vou dar fim
Sofre tanto que não serve, não serve, não serve
Não serve p'ra mim

Ricardo Ribeiro - "Muda a Agua as azeitonas..." - Fadinho Alentejano


Linda cara que tu tens (já sei)
Quando chegas noite fora
À espera à porta de casa
À espera à porta de casa
Está o teu pai que te adora

Lindos olhos tem o mocho (piu)
Quando a noite vem chegando
Para deixar passar a noite
P'ra deixar passar a noite
Uma moda eu vou cantando

Muda a água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Muda a água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Abalaste p'ra Lisboa (pois)
Deixaste-me ao pé da porta
Tu seguiste o teu caminho
Tu seguiste o teu caminho
A minha alma ficou torta

Quando cheguei ao Barreiro (já fui)
Lisboa estava fechada
Voltei p'ra casa a cantar
Voltei p'ra casa a cantar
Uma vida abençoada

Muda água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Muda água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Muda água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Muda água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso