sábado, 25 de julho de 2026

Fredrik Backman - "A minha avó pede desculpa" e "Britt-Marie esteve aqui"

               

"A minha avó pede desculpa"

Sinopse:

Elsa tem sete anos de idade, quase oito, e é diferente.
Para já, tem como melhor e única amiga a avó de setenta e sete anos de idade, que é doida: não levemente taralhouca, mas doida varrida a sério.
Capaz de se pôr à varanda a tentar atingir pessoas que querem falar sobre Jesus, com uma arma de paintball, ou assaltar um jardim zoológico, porque a neta está triste. 
Todas as noites, Elsa refugia-se nas histórias da Avozinha, em cujo cenário é o reino de Miamas, na Terra-de-Quase-Acordar.
Um reino mágico onde o normal é ser diferente.
Quando a Avozinha morre de repente, deixa uma série de cartas a pedir desculpa às pessoas que prejudicou, tem início a maior aventura de Elsa
As cartas levam Elsa a descobrir o que se esconde por detrás das vidas de cada um dos estranhíssimos moradores de um prédio muito especial, mas também, à verdade sobre contos de fadas, reinos encantados e a forma como as escolhas do passado de uma mulher ímpar, criam raízes no futuro dos que a conheceram...
"A Minha Avó Pede Desculpa" é uma belíssima história, escrita por Fredrik Backman e contada com sentido de humor e emoção.

                                                                                                         

"A Minha Avó Pede Desculpa" é um livro divertido, comovente e diferente, bem como as personagens que o compõem. 
É lindo, cheio de frases enternecedoras e contém uma mensagem especial: 
"... Todas as pessoas são únicas, maravilhosas e diferentes..."
Ao longo da sua leitura, vai-se descobrindo o lado aventureiro e "fora da caixa" da Avó
De tal modo que por vezes, Elsa era mais responsável que a Avó.
É um livro carregado de metáforas, ironia e emoção!
Todas as personagens daquele prédio especial, onde todos vivem, estão ligados uns aos outros, de alguma forma e de certo modo, todos têm histórias de vidas incríveis...
GOSTEI!

"Britt-Marie esteve aqui"

Sinopse:

Não é que Britt-Marie seja uma pessoa crítica, exigente ou difícil, ela apenas espera que as coisas sejam feitas de uma determinada forma. 
Uma gaveta de talheres desarrumada está no topo da sua lista de pecados imperdoáveis. 
Os seus dias começam, impreterivelmente, às seis da manhã, porque apenas os lunáticos acordam mais tarde do que essa hora. 
E não é passivo-agressiva. De modo nenhum. 
As pessoas é que, às vezes, interpretam as suas sugestões úteis como críticas, o que não é, de todo, a sua intenção. 
Afinal, Britt-Marie não é alguém que julgue os outros, não importa o quão mal-educados, desleixados ou moralmente suspeitos eles possam ser.
Quando Britt-Marie descobre que Kent, o marido, lhe é infiel, a sua vida perfeitamente organizada, de repente, desorganiza-se. 
Tendo de passar a sustentar-se sozinha, arranja um emprego temporário como zeladora do centro recreativo de Borg
Nessa posição, a exigente Britt-Marie tem de lidar com muita sujidade, eletrodomésticos temperamentais, indisciplina a rodos e até uma ratazana como companheira. 
Britt-Marie vê-se então arrancada da sua zona de conforto e arrastada para a vida dos seus concidadãos de Borg, uma estranha mistura de seres desesperados, canalhas, bêbedos e vagabundos, sendo incumbida da impossível tarefa de levar a equipa de futebol local, composta por várias crianças sem qualquer tipo de talento para acertar numa bola, à vitória.
E, quando um dia Kent aparece a pedir-lhe desculpa, ela tem de decidir, de uma vez por todas, o que realmente deseja da vida. 
Nesta pequena localidade de gente inadaptada, pode Britt-Marie encontrar o lugar a que realmente pertence?
Engraçado e comovente, perspicaz e humano, "Britt-Marie esteve aqui" celebra as amizades inesperadas que nos mudam para sempre e o poder do mais gentil dos espíritos, para tornar o mundo um lugar melhor.

                           

Para se entender melhor a história de "Britt-Marie esteve aqui", será sempre aconselhável ter-se já lido "A Minha Avó Pede Desculpa", porque Britt-Marie e o seu marido Kent já faziam parte do seu elenco e, já sabemos porque razão Britt-Marie terá resolvido se separar dele. 
Diria mesmo que essa foi a razão que levou a toda a história que se desenrola no livro "Britt-Marie esteve aqui".
Fredrik Backman com o seu talento, emoção, empatia e humor, consegue construir uma história em que nada é real, tudo fantasia, aliás começa logo por nos informar que a pequena localidade de BORG, não existe, tudo imaginação, mas de novo, tal como no livro "A Minha Avó Pede Desculpa" consegue com o seu talento para "contar coisas sérias em tom de brincadeira", consciencializar-nos sobre os anos que passam por nós a correr, sem darmos conta deles, bem como, existem pessoas que dedicam a sua vida aos outros, especialmente aos seus maridos/filhos, anulando-se totalmente, e depois, um dia, talvez tenham de lidar com a separação/divórcio/viuvez/incapacidade..., após quarenta ou mais anos de casamento, como será penoso ter de reconstruir a vida toda, após os 60 anos... a dificuldade de encontrar emprego com essa idade... 
Fredrik Backman conseguiu caracterizar de tal modo Britt-Marie, que enquanto se lê o livro, é impossível pensar que ela não existe mesmo... mas ela de facto existe, talvez não tenha este nome, mas outro... haverá imensas Britt-Maries por aí?...
Britt-Marie apenas quer amar e ser amada... 
Talvez nunca seja tarde para darmos uma segunda oportunidade à nossa vida. 
Mas é necessário sermos muito persistentes até conseguirmos atingir os nossos sonhos!

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Luís Represas

Luís Paulo Fontes Represas nasceu a 24 de Novembro de 1956 e faleceu hoje, dia 22 de Julho de 2026, aos ainda 69 anos e mais uma vítima de cancro do pulmão...

No Verão de 1976 juntamente com João Gil e outros, fundaram o Grupo Trovante, uma banda que terá sido apadrinhada pelo saudoso Carlos do Carmo...

Banda de tantas canções icónicas que todos temos em memória! Fica uma obra musical rica na memoria de várias gerações...

As homenagens têm sido imensas e de todos sem exceção... deixo aqui as duas que mais me sensibilizaram, a do nosso atual Presidente da Republica, Dr. António José Seguro, bastante sensibilizado e a de Luís Osório, através da sua Publicação Diária, "Postal do Dia".

António José Seguro, amigo de Luís Represas, recordou o artista no Parlamento de Cabo Verde, país onde está em visita oficial e, deixou uma mensagem emocionada durante o seu discurso:
"... Hoje perdi um amigo..." 
"... É o sentimento de quem perde um amigo... " 
"... Em nome de Portugal, curvo-me perante a sua memória com gratidão... " 
"... Há vozes que não pertencem apenas a quem as canta. Pertencem ao tempo, à memória e ao coração de um povo... "
"... Hoje perdi um amigo. Choro, em Cabo Verde, a sua partida... "
"... A partida do Luís Represas não encontrará silêncio. Encontrará as canções que deixou acesas, como pequenas luzes sobre a vida de tantas gerações de portugueses. Encontrará melodias que continuarão a nascer em cada reencontro, em cada saudade, em cada instante em que alguém voltar a cantar as palavras que ele nos ofereceu. Partiu o homem. Ficou a voz... "
"... Uma voz que soube transformar a nostalgia em esperança, a simplicidade em beleza e a música num lugar onde Portugal tantas vezes se reconheceu. Das praças aos palcos, dos dias de festa aos momentos de recolhimento, o seu talento ensinou-nos que há canções capazes de vencer o tempo. O Luís Represas será sempre um dos nossos maiores. E Portugal, em dor, canta as suas canções... "
"... À família, amigos, companheiros dos Trovante e todos aqueles que hoje sentem que perderam alguém da sua própria casa, endereço um abraço com profunda solidariedade... "
"... Enquanto houver quem cante as suas canções, Luís Represas continuará a regressar. Não como lembrança distante, mas como presença viva, nessa forma discreta e luminosa que só a verdadeira arte conhece... "


" Viver tudo numa noite "

Morreu Luís Represas. Conheci-o em criança, em casa do meu pai, ao piano. Ele e todos os Trovante. Eram miúdos, no final da adolescência ou no início da vida adulta, estavam a preparar o seu primeiro álbum “Chão Nosso”. O Luís, e o João Gil e Manuel Faria, ainda não eram ídolos, mas foram-no. Mais do que qualquer músico em Portugal na década de 1980 e em metade da década de 1990. Foram eles a fazer a transição dos grandes músicos de intervenção para um novo mundo – eles próprios fizeram-na entre o segundo e o terceiro álbum. Não interessa.

Luís Represas era a estrela. A sua voz, presença, magnetismo e inteligência mudaram a face da música popular. E não temos de o chorar. Ele viveu uma vida cheia. Cumpriu-se, ficou na história e vamos cantá-lo até ao fim dos tempos. E Deus – ou alguém por Ele ofereceu-lhe a possibilidade de se despedir do público com quatro concertos que foram absolutamente mágicos. Já estava muito doente, mas eu não sabia. Mas já estava. E na sua cabeça era mesmo a despedida, a sua ultima vez. Impressionante a maneira como o fez. Sem alardes, sem chorinhos, sem nada que não tivesse feito se lhe estivessem destinados cem anos de vida.

Agora percebo o título dos últimos espetáculos: " Viver tudo numa noite ".
Os mais novos talvez não imaginem do que estou a falar, certamente que lhes é difícil entender que existia mundo antes deles, que existia música antes da música que ouvem, que os seus pais ou avós tenham sido jovens como eles. É-lhes difícil, quase impossível, saberem o que Trovante representou na cultura portuguesa, na construção da democracia, na capacidade de a música ser a prova de que qualquer coisa estava a acontecer de novo em Portugal.

Lá estive para os ouvir, para ouvir o Luís Represas. Ameaçaram viver tudo numa noite e cumpriram. Ou em quatro. Mas eu, querido Luís Represas, enquanto por aqui estiver, continuarei desperto com algumas daquelas canções que nunca deixaram de tocar em mim, que me ajudaram a ser o que sou, que me fizeram chorar, desejar, amar, dançar, pensar, ser futuro e respeitar o passado.

Trovante é a banda da minha vida. É memória de manhãs, tardes, noites e madrugadas. Sei as músicas de cor, apaixonei-me por quem as cantou comigo, adormeci todos os meus filhos com aquelas canções, lamentei as mortes e as perdas a ouvir a guitarra do João, a voz do Luís e o piano do Manuel. O meu pai já o deve ter reencontrado. E eu canto Molinera.


Eu partilho de todas as ideias acima descritas, tudo!
Assisti também ao espetáculo " Viver tudo numa noite " e também agora percebo...
Aqui fica a minha recordação 

sábado, 18 de julho de 2026

"Véspera" - Carla Madeira

     
     
   
SINOPSE: Vedina, uma mulher traumatizada por um casamento destroçado, decide, num momento de descontrolo, abandonar o filho, largá-lo. 
Assim que o faz, contudo, arrepende-se de pronto, regressando ao local onde deixara o pequeno. 
Mas já nada encontra no local, nem a criança nem quaisquer vestígios da sua presença.
A partir de então, a história prossegue, contada em dois tempos, levando o leitor a um mundo de medos e sombras, de vícios desgraçados e comportamentos controladores, remexendo as entranhas de uma família violenta e perdida, enquanto procura responder a uma dúvida essencial e sempre presente: como se chega ao limite?
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"Véspera" de Carla Madeira, conta a história da família de Custódia e seu marido Antunes e de seus filhos Abel e Caim, e ao longo da história vamos tomando conhecimento dos pais, avós, tios, noras, etc.
A história começa com o desespero de Vedina, mulher de Abel, uma mulher marcada por um casamento fracassado, que num momento de descontrole total, abandona o seu filho, Augusto, um menino de apenas 5 anos, em uma rua e, ao se arrepender, retorna para encontrá-lo mas sem qualquer vestígio de sua presença...
A história é contada em capítulos intercalados, um contando o que está sucedendo com o abandono de Augusto por Vedina e outro retrocedendo no tempo, contando as vidas passadas... desencadeando assuntos, atitudes, acontecimentos intensos sobre famílias, traumas e escolhas irreversíveis e traumatizantes...
Essa narrativa mantém o suspense e leva o leitor a unir os pontos entre o passado e o presente, as causas e os efeitos... 
Conclui-se que as ações de outrora, do passado, moldam e marcam os destinos atuais e de agora...

Um pouco de história bíblicaAdão e Eva, tiveram 2 filhos gémeos, Caim e Abel. Caim matou Abel. Esta morte terá sido o primeiro homicídio da humanidade. 

D. Custódia e Sr. Antunes, tiveram 2 gémeos a quem o pai colocou o nome de Abel e Caim, para castigar sua mulher... os gémeos, sempre conviveram com a angústia materna de que a histórica bíblica se repetisse, em forma de tragédia profetizada.
Estes e outros tantos acontecimentos do passado, são rastilhos que demonstram como o ambiente familiar pode ser tanto um refúgio quanto uma prisão...
Quanto ao desfecho do abandono do pequeno Augusto... para mim foi chocante... mas também brilhante...

quarta-feira, 1 de julho de 2026

"O caderno proibido" de Alba de Céspedes

"O caderno proibido" 
Alba de Céspedes

 

Alba de Céspedes, nasceu em Roma, em 11 de Março de 1911. 
Era filha de Carlos Manuel de Céspedes y QuesadaEmbaixador Cubano em Itália e que tinha sido Presidente Cubano por alguns meses em 1933.
Cresceu portanto, numa família rica e politicamente comprometida com um sentido progressista e antifascista. 


Sinopse: 

Roma, década de 1950: Valeria Cossati uma mulher de 43 anos, casada, com dois filhos adultos, exausta pela dupla jornada de dona de casa e secretária de um escritóriovai comprar cigarros para o marido, ignorando que sairá da tabacaria com um caderno que há-de mudar a sua vida. 
Ao transformar esse caderno num diário secreto onde regista pensamentos e desejos do dia-a-dia, Valeria Cossati transforma-o num instrumento de emancipação: liberta-se das convenções sociais, do sentido de dever para com o marido e os filhos, dos limites autoimpostos que regem o seu pequeno mundo. 
A partir daqui, tudo é questionado. 
Valeria Cossati compreende que está em translação e decide conquistar o lugar que escolheu para si...
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"O caderno proibido", foi uma verdadeira revelação, um livro quase com a minha idade, mas que é duma atualidade incrível e no qual me revi, e certamente muitas mulheres que tiverem oportunidade de o ler, sentirão o mesmo. 
É quase arrepiante tomar conhecimento que tantas décadas passadas, o enredo é atual, poder se ia afirmar que foi escrito ontem ou até mesmo hoje...
São abordadas questões do quotidiano, em Roma dos anos 50 do século 20 que, ainda hoje, em Lisboa dos anos 20 do século 21, são tão atuais, assustador! 

"O caderno proibido"aborda temas e inquietações intemporais: o envelhecimento, a sexualidade, os preconceitos sociais, a família, os conflitos geracionais, a ânsia de liberdade e de felicidade...

"O caderno proibido", relata a revolução de sentimentos e pensamentos na vida de Valeria Cossati, uma mulher italiana de 43 anos, casada há 22, mãe de uma rapariga e de um rapaz, empregada num escritório e que um dia começa a escrever num caderno de capa preta reflexões sobre si e a sua vida.
Essa escrita no caderno, transforma-se num diário muito pessoal que, a pouco e pouco, vai obrigá-la a questionar tudo: a família, o casamento e, sobretudo, ela própria.
Escrever um diário permitiu a Valeria Cossati, refletir sobre o que pensa e sente e entender que ainda havia espaço para ser uma mulher interessante, ser atraente, ser amada. 
Valeria Cossati, é uma mulher tradicional, preconceituosa, educada para se apagar nos cuidados com o marido e os filhos, viver em função dos outros, gerir um orçamento limitado que a leva a comprar para si, só o indispensável, com uma vida social muito limitada.
Valeria Cossati, tem ânsias de verter para o papel as suas inquietações, aquilo que nunca confessou a ninguém, nem a si mesma... que se sente escrava da família e da casa; que não sabe o que é o descanso; que nunca teve tempo para ler um livro; que encara a família como um lugar de opressão; que o casamento e o nascimento dos filhos foram os únicos pontos altos da sua vida e que tudo o resto foi insignificante; que embora ache que na sua idade já é tudo tarde de mais, descubra que ainda é possível amar fora do casamento; que para sobreviver precisa de mentir...

Aconselho vivamente!!

domingo, 21 de junho de 2026

A minha Caturra

Estamos em Pombal. 

Viemos passar uns dias, mudar de ares...

Ontem, repetiu-se a história de há 7 anos atrás...

A diferença é que não vamos buscar mais nenhuma... é uma dor forte perder um animal...

Foram 7 anos de Muito Amor!

Como ela veio apenas com 2 semanas de vida, criei-a a biberon de 2 em 2 horas... 

Ela, chamava-me "mami"... eu, chamava-lhe "Catu"...

Gostaria de acreditar que ela foi ser Feliz em Liberdade mas não creio...

quinta-feira, 18 de junho de 2026

domingo, 7 de junho de 2026

"Um Amor Feliz" de David Mourão Ferreira


David Mourão-Ferreira foi poeta, romancista, novelista, dramaturgo, ensaísta, cronista, tradutor, crítico literário, professor e, até talvez, muito outras coisas mais...
David Mourão-Ferreira foi movido pelo Amor... são dele os mais belos poemas de amor da Literatura Portuguesa.
David Mourão-Ferreira inventou a palavra "escreviver" que simbolizava o quanto ele "Precisava de Viver para Escrever e de Escrever para Viver"...
David Mourão-Ferreira nasceu a 24 de Fevereiro de 1927, em Lisboa, onde veio a falecer a 16 de Junho de 1996.

"Um Amor Feliz" é o único romance escrito por David Mourão-Ferreira e foi publicado em 1986. Recebeu o Grande Prémio de Romance da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio D. Dinis e o Prémio de Ficção do Município de Lisboa. 

"Um Amor Feliz" é uma obra que explora o tema do Amor, refletindo sobre a relação entre Fernão e Y, bem como a "relação/conversa" do autor com quem está a ler o romance... 
"Um Amor Feliz" é uma busca por um "Amor Feliz" e a evolução da relação amorosa ao longo do tempo... 
A sua última frase: ..."é um livro para ser lido com a intervenção activa daquele que o lê".

domingo, 31 de maio de 2026

Helena Tavares - "Na rua dos meus ciúmes"


A RUA DOS MEUS CIÚMES

Na rua dos meus ciúmes
Onde eu morei e tu moras
Vi-te passar fora de horas
Com a tua nova paixão
De mim não esperes queixumes
Quer seja desta ou daquela
Pois sinto só pena dela
E até lhe dou meu perdão

Na rua dos meus ciúmes
Deixei o meu coração.
Inda que me custe a vida
Pensarei com ar sereno
Que esse teu ombro moreno
Beijos de amor vão queimar

Saudades são fé perdida
São folhas mortas ao vento
Que eu piso sem um lamento
Na tua rua ao passar
Inda que me custe a vida
Não hás de ver-me chorar.

Mais uma capa





Terminei esta capinha e ainda não sei bem qual o seu destino.
Logo se verá.














quinta-feira, 30 de abril de 2026

"Nem por isso" de Maria Roma

 

Sinopse:

"Nem por isso" é um romance sobre quatro mulheres e quatro homens, amigos de longa data, cujo quotidiano é dominado pelo impulso imparável, do correr dos seus dias, num mundo complexo e intenso. 

Onde a amizade, a paixão e o amor os envolvem numa teia intrigante determinando as suas decisões, desatinos de alma, discussões, prazeres e entrega mútua. 

Mas também as suas incertezas, momentos inesquecíveis, desamores, traições e alegrias espontâneas. Que os desafiam constantemente. 

Contudo, sempre com consentimento, que por vezes, surpreende e não se conseguem libertar...

Tudo numa valsa imparável. a que alguns não resistem...

Mesmo que o desespero se avizinhe... Por vezes até ao limite...

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È um livro muito interessante, com voltas e revoltas, amores e desamores, com tinos e desatinos, certezas e incertezas... 

Mas acima de tudo, com muita Sinceridade, Respeito e Verdade mutuas! 

Princípios com que Todos nos deveríamos relacionar!

GOSTEI! Tenciono ler mais outros da autora Maria Roma, pseudónimo de Maria José Salgado Sarmento de Matos Freitas do Amaral.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Dupla Free Acro Souls - VENCEDORES da 10ª. Edição Got Talent Portugal 2026


Free Acro Souls, foram os Vencedores da 10ª. edição do Got Talent 2026.
Foi muitíssimo bem ganho! 
Eles são uma dupla Extraordinária!
Misturam acrobacias com Yoga e talvez mesmo Vida Pessoal... PARABÉNS!!

domingo, 12 de abril de 2026

"O Retorno" de Dulce Maria Cardoso

"O Retorno"

de 

Dulce Maria Cardoso


Gostei bastante de ler!
Aconselho a sua leitura!

Recordo-me bem desses tempos, tempos difíceis para todos. Não só para os que vieram mas também para os que de cá nunca saíram.
Tempo em que todos precisavam de emprego e que, os empregos nas empresas Públicas, Municipais e outras, foram guardados, não para os de cá, mas para os que retornavam... tempos difíceis esses!!

Verdade, é que também nos mudaram... eramos muitos cinzentos, fruto de uma ditadura longa, em que tudo era proibido, principalmente para as mulheres, tudo lhes estava vedado...

A chegada deles junto com a nossa Revolução, foi como um sopro de ar fresco. De repente vimos mulheres a frequentar os cafés, vimos mulheres vestidas com roupa colorida e mostrando partes dos corpos, sem qualquer receio de falatório, coisa que sempre nos tinham incutido e que nos inibia de nos mostrarmos o que fazia de nós pessoas cinzentas... A pouco e pouco, fomos todos nós ficando diferentes, mas na minha opinião, para melhor.

Dulce Maria Cardoso é Portuguesa de Trás-os-Montes. Nasceu em 1964 e viveu depois em Angola dos 6 meses de idade até o princípio da guerra civil, que deflagrou após a independência do país.
Assim, com conhecimento de causa, escreveu este livro "O Retorno" e descreveu resumidamente, como exemplo, sobre os cerca de 600 mil Portugueses que regressaram de África em situações dramáticas e que aterraram em Portugal, em 1975.

A história é contada por Rui, um adolescente de 15 anos, que vivia em Angola com a sua família. A vida que ele conhecia é abruptamente interrompida com a independência do país e o clima de instabilidade política e social. 
De repente, Rui e a sua família são forçados a abandonar tudo: a casa, os amigos, as memórias... e têm de embarcar, sem o pai, para Portugal.
Quando chegam a Lisboa, Rui encontra um país que não conhece, marcado pela "Revolução dos Cravos", em crise e com mudanças Políticas e Sociais. 
A adaptação é dura e a família luta para sobreviver, em um cenário completamente diferente daquele que conheciam.

Sinopse:

1975, Luanda. A descolonização instiga ódios e guerras. Os brancos debandam e em poucos meses chegam a Portugal mais de meio milhão de pessoas. O processo revolucionário está no seu auge e os retornados são recebidos com desconfiança e hostilidade. Muitos nao têm para onde ir nem do que viver. Rui tem quinze anos e é um deles. 1975. Lisboa. Durante mais de um ano, Rui e a família vivem num quarto de um hotel de 5 estrelas a abarrotar de retornados — um improvável purgatório sem salvação garantida que se degrada de dia para dia. A adolescência torna-se uma espera assustada pela idade adulta: aprender o desespero e a raiva, reaprender o amor, inventar a esperança. África sempre presente mas cada vez mais longe...

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Sr. Engenheiro - Alegadamente um Musical

"Sr. Engenheiro - Alegadamente Um Musical" é uma sátira musical inspirada na vida do ex-primeiro-ministro José Sócrates e estreou a 1 de abril de 2026.
Esta sátira, narra, resumidamente, desde o seu inicio nas Beiras até á sua vida faustosa em Paris, explorando as suas relações pessoais com aquele "Amigo" (que todos gostaríamos de ter mas que...) generoso, tão generoso... e com um motorista que sabe demais... e até foca a licenciatura tirada ao Domingo... e as "fotocopias"...
Tudo isto, inspirado em factos do conhecimento público e com uma abordagem humorística e muito engraçada.
Tendo em conta que tudo vai Caducando... ele vai voltar em 2031... candidato à Presidência...
Vão ver porque vão gostar!!

Os Mimos Gabriel e João - Semi-final 03 | Got Talent Portugal 2026


Os Mimos Gabriel e João de 18 e 14 anos apenas... foram FANTÁSTICOS!!
Foram tão bons, tão bons, tão bons, tão bons, tão bons, tão bons... que não tenho palavras para descrever o quanto foram MAGNÍFICOS!!


 

"Memória" - Carminho e Rosalía

 

Ainda te lembras de mim?
Ainda sabes de onde eu vim?
Quem sou esta que aqui estou?
Diz-me no meu olhar triste
Que alguma memória existe
E ainda sabes quem sou

Diz-me se ainda tropeço
Se me alegro se agradeço
Ou se ainda sei cantar
Recorda-me por favor
Alguma coisa o que for 
que eu não consigo lembrar

Vem comigo p'la cidade
Diz-me com sinceridade
Se tu te lembras de mim
Onde cresci e amei
Com quem vivi e me dei
Ou se a algo eu pus fim

Será que tu me conheces
Que o tempo passa e não esqueces
Quem eu fui e sou em fim
Oh meu doce coração
Diz-me se sabes ou não
Ainda te lembras de mim?


Siempre que me acuerdo de algo
Siempre lo recuerdo un poco diferente
Y sea como sea ese recuerdo
Siempre es verdad en mi mente
Y si mi alma se derrama
Y la falta de pasado es el olvido
Cuando muera solo pido
No olvidar lo que he vivido

Será que tu me conheces
Que o tempo passa e não esqueces
Quem eu fui e sou em fim
Oh meu doce Coração
Diz-me se sabes ou não
Ainda te lembras de mim?

domingo, 15 de março de 2026

"Pés de Barro" - Nuno Duarte

  
   
"Pés de Barro" é o romance de estreia de Nuno Duarte.
"Pés de Barro" é um retrato muito real dos anos 60 em Portugal, um país “Orgulhosamente Só”, frase proferida por Salazar, Primeiro Ministro há época...
"Pés de Barro" retrata bem a Sociedade Portuguesa durante a Ditadura Salazarista, e espelha a vida da Lisboa Operária dos anos 60, bem como o que representou a Guerra do Ultramar, a PIDE, a Pobreza e a falta de instrução escolar.
"Pés de Barro" é um livro que tem como base do seu enredo, a construção da Ponte sobre o Tejo, em Lisboa, a que então se chamou Ponte Salazar e que hoje conhecemos como Ponte 25 de Abril.
"Pés de Barro" é um livro com um estilo de escrita algo original, com a construção dos diálogos feita no discurso indireto e com uma escrita simples mas intensa e tão verdadeira que me tocou profundamente... ao ler, visualizava perfeitamente tudo... claro que sou dessa época, conheci bem toda a miséria da Capital e do país...

Recomendo a sua leitura!

Sinopse:

Estamos em 1962, num país "Orgulhosamente Só" e vem aí a construção da primeira ponte suspensa sobre o Tejo, para a qual vão ser precisos cerca de três mil homens. 
A obra irá mudar para sempre a paisagem da Capital, muito especialmente para quem vive em Alcântara, Bairro Típico de Lisboa, como é agora o caso de Victor Tirapicos, instalado na casa dos tios depois de ter envergonhado o pai com dois anos de cadeia só por ter roubado pão e batatas para fintar a miséria.

É, de resto, pelos olhos deste Serralheiro de 22 anos que veremos a ponte erguer-se um pouco mais todos os dias e, ali mesmo ao lado, partirem os navios cheios de rapazes para a Guerra do Ultramar, donde muitos acabarão por voltar estropiados, endoidecidos ou mortos.

Porém, apesar de a modernidade parecer estar a matar a vida e os costumes do Pátio Operário onde convivem (amigavelmente ou nem tanto) uma série de figuras inesquecíveis - entre elas o Mestre Sapateiro que faz as chuteiras para o Atlético Clube de Portugal e um velho culto que aprende a desler... Victor Tirapicos encontra o Amor de uma rapariga que é Muda mas consegue escutar o Planeta, pressentindo a derrocada da estação do "Cais do Sodré" e outra catástrofe ainda maior, que se calhar tem Pés de Barro e só acontece neste romance, mas bem podia ter acontecido...

segunda-feira, 9 de março de 2026

Beatriz da Conceição - "Sou um fado desta idade"


Fados são belas cantigas, 
alegres, amigas
Deixem de os cantar tristonhos, 
dolentes, medonhos

Façam os fados ativos 
se os querem ver vivos
Pode o fado ser eterno, 
Ritmado, alegre, 
bailado, moderno

Sou um fado desta idade
Saltadinho com viveza
Sabe bem não ter saudade, saudade, saudade
Saudade faz tristeza

Cá por dentro o sangue ferve
Á moleza vou dar fim
Sofre tanto que não serve, não serve, não serve
Não serve p'ra mim

Vamos, cantem este fado
Mexido, marcado
Fado assim é divertido
Pulado, batido

Tem em si um ar de festa, 
bem nossa, modesta
Mas que mesmo portuguesa
Perdeu a tristeza, ganhou em beleza

Sou um fado desta idade
Saltadinho com viveza
Sabe bem não ter saudade, saudade, saudade
Saudade faz tristeza

Cá por dentro o sangue ferve
Á moleza vou dar fim
Sofre tanto que não serve, não serve, não serve
Não serve p'ra mim

Sou um fado desta idade
Saltadinho com viveza
Sabe bem não ter saudade, saudade, saudade
Saudade faz tristeza

Cá por dentro o sangue ferve
Á moleza vou dar fim
Sofre tanto que não serve, não serve, não serve
Não serve p'ra mim

Ricardo Ribeiro - "Muda a Agua as azeitonas..." - Fadinho Alentejano


Linda cara que tu tens (já sei)
Quando chegas noite fora
À espera à porta de casa
À espera à porta de casa
Está o teu pai que te adora

Lindos olhos tem o mocho (piu)
Quando a noite vem chegando
Para deixar passar a noite
P'ra deixar passar a noite
Uma moda eu vou cantando

Muda a água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Muda a água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Abalaste p'ra Lisboa (pois)
Deixaste-me ao pé da porta
Tu seguiste o teu caminho
Tu seguiste o teu caminho
A minha alma ficou torta

Quando cheguei ao Barreiro (já fui)
Lisboa estava fechada
Voltei p'ra casa a cantar
Voltei p'ra casa a cantar
Uma vida abençoada

Muda água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Muda água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Muda água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Muda água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Os finados Alemães Maria Feliz (Meine) e José Feliz (Matteo), eremitas em Trás os Montes, Portugal

 A vida do casal Feliz numa aldeia de Trás-os-Montes, em Portugal.

Atenção: Esta reportagem existe na Internet... Chamo-a aqui ao meu blogue, apenas na sequência do meu anterior post, cujo titulo é "Nem Todas as Árvores Morrem de Pé", título do primeiro romance de Luísa Sobral que aconselho vivamente a sua leitura.

    
 

Deixaram os nomes de batismo na antiga RDA - República Democrática Alemã, donde vieram há mais de 30 anos. 
Eram conhecidos como Maria Feliz e José Feliz.
Num recanto de uma aldeia do Concelho de Vila Real, viviam como eremitas: isolados, num lugar ermo, afastados da sociedade por Amor a Natureza e buscando a solidão, praticando a meditação, autoconhecimento e um estilo de vida simples, contemplativo e espiritual, sempre procurando o "eu interior", e tendo como opção a pobreza, indicando: 

“Não é oposição nem boicote. É uma forma de pensamento elevado.”

O segredo da Felicidade, diziam os dois, vinha do Lema Beneditino “reza e trabalha”, da vida silenciosa, do altruísmo, do anti materialismo, do amor desinteressado e do contacto com a Natureza: 
_ “Enquanto vives no silêncio tens mais respostas interiores e exteriores. Tem-se tempo para observar e receber mais sabedoria. Só insistindo com paciência e serenidade, trabalho e resiliência, se encontra a solidez”.

Garantiam que tinham uma Vida muito dura mas Feliz e abominavam a dependência social, cultural e monetária e uma sociedade massificada, consumista e supérflua
Viviam numa antiga "Casa de Moleiro", que eles próprios restauraram, com chão de pedra e teto de madeira, sem eletricidade e sem máquinas, rádio, televisão, frigorífico e Internet...
Eles próprios canalizaram a água de uma fonte próxima. E cultivavam tudo o que comiam.

José Feliz, a par das suas escritas em que anotava a sua Filosofia de Vida, fazia todos os trabalhos de Serralharia e Carpintaria, cortava lenha e fabricava velas artesanais.
Alto, de olhos claros, com uma postura distante, mas a quem, por vezes, se conseguia arrancar um sorriso que se desdobrava em gargalhadas sonoras e infindáveis. 

Maria Feliz, de estatura baixa, com cabelos cor de prata, era mais calorosa e deixava transparecer o que lhe ia  na alma. 
Às sextas-feiras partilhava os seus saberes no mercado de Vila Real. 
Vendia muitos produtos feitos com plantas. 
Maria Feliz sabia muito sobre plantas e medicina...




Na berma da estrada, a cerca de 12 quilómetros de Vila Real, há uma placa onde se lê:

  “Missão Pobreza Voluntária”

“Se vens por bem, podes entrar”

O lugar não é acessível a todos, mais adiante, no fim de um caminho de terra e pedras, envolvido por giestas, urzes e estevas, está uma cancela de ferro.

José Feliz, um homem de barbas e cabelo branco, óculos, chapéu e mais de 60 anos, transmitia a quem ouvia:
_ “Tudo o que nos envolve foi criado por Deus, como a terra, o ar, o fogo, os animais, as plantas e as árvores, que é tudo o que precisamos para vivermos e sermos felizes.” 

Maria Feliz, completava: 
_ “Não tenho nenhuma ligação a nenhuma religião, mas tenho uma crença. Na minha alma existe uma coisa que eu quero entender. Por isso, retirei-me desta sociedade para perceber o que é...

A antiga "Casa de Moleiro" foi por eles restaurada e é aí que habitavam, na companhia de um Burro, umas poucas Ovelhas, Galinhas, dois Cães e três Gatos
Em volta estendem-se os campos onde começavam o dia a lavrar a terra, a plantar o que comiam e a cultivar plantas medicinais que mais tarde, Maria Feliz, utilizava para fazer chás, cremes, pomadas, remédios... que vendiam às Sextas-feiras na Feira e no Mercado de Vila Real.

Maria Feliz, aprendeu com uma ama, que lhe incutiu o gosto pela medicina popular, inspirada nos ensinamentos de Santa Hildegarda, Abadessa Beneditina Alemã do princípio da Idade Média.

Em Portugal, tiveram primeiro uma fase mais contemplativa, ligada à leitura e ao estudo e a conhecer outros locais do país, antes de virem para Vila Real.
Viveram ainda em Vilar de Mouros, no Minho, onde Maria Feliz aprofundou o seu interesse pelos remédios tradicionais. 
Em 1993 tornou-se uma frequentadora do Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, onde deu palestras e expôs o seu trabalho. 

José Feliz, juntamente com vizinhos e amigos, recuperou um moinho existente ali perto de um Ribeiro, nas margem do Rio Sordo. 
José Feliz semeava, colhia e moía o Centeio, no Moinho do ribeiro, com que faziam o pão. 

Os cuidados de higiene começavam de manhã, com um banho de água fria na rua. 
À noite, de vez em quando, tomavam banho de água quente numa banheira de madeira com os óleos essenciais que Maria Feliz produzia, tal como fazia sabão, cremes para o rosto, pomadas, xaropes, tinturas e chás, ou a própria roupa


Viviam completamente alheados da sociedade, mas ajudavam e acolhiam quem os procurava em busca de mais saúde física e espiritual. 
Por vezes, entre Maio e Agosto, quando havia mais trabalho no campo e se colhiam as plantas medicinais, acolhiam alguns jovens voluntários. 



No passado Sábado, dia 22 de Maio de 2021, morreu Maria Feliz, uma mulher eremita, de nacionalidade Alemã, que vivia há cerca de 30 anos em Portugal. 
Sofria de uma doença oncológica e estaria em fase terminal...
O marido, José Feliz, estaria por perto, tinha vários ferimentos e uma faca ao lado...
Em causa, poderá estar um pacto de morte entre o casal, devido à doença de que padecia Maria Feliz...


Vivemos hoje, numa Sociedade consumista, supérflua, egocêntrica...
Tudo que se passa ao nosso redor, não nos diz respeito, não é connosco, não, não...
O objetivo de vida de todos, é ter meios económicos, no intuito de ter poder e esperar que nos traga felicidade...
Temos a felicidade que nos é indicada pela televisão, pelos vizinhos, pelas revistas...
Retribuímos, demonstrando-nos como abastados, como detentores de sabedoria, de cultura, andando na moda, tendo o último modelo de telemóvel...
Em casa, já não nos chega uma só televisão e as que possuirmos, terão de ter bastantes canais, para podermos consumir, consumir, consumir...
Nem que para alcançarmos tudo isto, na ânsia de consumo, sejamos obrigados a viver na mentira, no engano, na escravidão, na aparência, dependentes de créditos mal parados que nos tirem o sono...