terça-feira, 22 de setembro de 2026

Jorge Palma


Jorge Manuel de Abreu Palma, nasceu em 04 de Junho de 1950, em Lisboa, e faleceu ontem, durante a noite, de 21 de Setembro de 2026, vitima de paragem cardiorrespiratória.
Jorge Palma foi musico, cantor, poeta e compositor português.
Jorge Palma partiu, mas a sua música é eterna!
Jorge Palma na década dos anos 70, trocou Lisboa por Paris, onde tocou nas ruas e no metro, cantando sobretudo canções de Bob Dylan, Paul Simon, James Taylor, Stills e tantos outros...
Em Abril deste ano de 2026, foi distinguido com o Prémio Carreira dos 8.º PLAY - Prémios da Música Portuguesa, decidido pela direção da Audiogest, que gere e representa os direitos das editoras multinacionais, nacionais e independentes.
Na cerimónia dos prémios, visivelmente surpreendido, de cravo vermelho ao peito, Jorge Palma começou por agradecer a todos aqueles que ao longo da vida o ajudaram, nomeadamente “aos profissionais do SNS que fazem tudo com os poucos meios que têm”. 
Jorge Palma que Descanse em Paz!



sábado, 19 de setembro de 2026

"Tudo é Rio" - Carla Madeira

 

Sinopse: Suor, sangue, lágrimas, saliva, sémen. Tudo flui sem parar.

Lucy é a prostituta mais concorrida da cidade. 

Dalva, por contraste, é de origem familiar e muito tradicional, mulher de Venâncio, senhor de uns ciúmes doentios.

Lucy e o casal, Dalva e Venâncio, protagonizam um triângulo amoroso que se afasta dos lugares-comuns dos romances e nos faz questionar, sob formas surpreendentemente originais, quais os verdadeiros limites do perdão, até onde pode ir a intensidade de um amor, de que valores se reveste a importância da família e, acima de qualquer outra coisa nesta história, quão forte ou fraca pode ser a afeição entre mulheres.

"Tudo é  Rio" é o livro que eu não conseguia parar de ler!
"Tudo é Rio" aborda temas como violência doméstica, comportamentos obsessivos, ciúme, traição, maternidade, culpa, perda, perdão, desejo, sexo e sexualidade... temas que tocam todo mundo… a violência é dura... a sexualidade é explícita... as personagens cometem atos imperdoáveis... tudo aparece de forma crua, mas sem chocar!
Será possível perdoar o imperdoável? 
Conseguimos superar algumas situações e seguir adiante? 
Eu gostei bastante de "Tudo é Rio"!
É um livro para se pensar e digerir aos poucos...

Este é o segundo livro que leio da Carla Madeira. 
Curiosamente, sendo este o seu primeiro livro e um best-seller, só agora o li, tendo começado por ler dela o "Véspera" como aqui podem comprovar, uma história completamente diferente desta, mas igualmente muito interessante e tal como esta, com um final inesperável!

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

"Para Lá do Inverno " de Isabel Allende

 

Sinopse: 

Isabel Allende parte da célebre frase de Albert Camus: 
"No meio do inverno, aprendi por fim que havia em mim um verão invencível"
para nos apresentar um conjunto de personagens próprios da América contemporânea que se encontram "... no mais profundo inverno das suas vidas...": uma mulher chilena, uma jovem imigrante ilegal guatemalteca e um cauteloso professor universitário.
Os três sobrevivem a uma terrível tempestade de neve que se abate sobre Nova Iorque e acabam por perceber que para lá do inverno há espaço para o amor e para o verão invencível que a vida nos oferece quando menos se espera.
Para lá do inverno é um dos romances mais pessoais da autora, uma obra absolutamente atual que aborda a realidade da migração e a identidade da América de hoje através de personagens que encontram a esperança no amor e nas segundas oportunidades.


Para lá do inverno é um livro com uma história bem atual! 
Foi escrito em 2017 mas podia ter sido escrito ontem, dado que nos coloca em contato com a realidade e o drama dos emigrantes da América Latina, do seu árduo percurso até chegar aos Estados Unido da América. 
Estados Unido da América de Donald Trump...
O drama de se nascer num país pobre e sem oportunidades, sem exemplos a seguir, leva muitos jovens a ingressar em cartéis de droga, opção nada feliz nem para eles, nem para as suas famílias... 
A dificuldade para fugir de toda a infelicidade e pobreza que se adivinha, faz com que muitos jovens arrisquem a vida numa travessia longa e penosa para irem atrás das oportunidades e do sonho da terra das grandes oportunidades, onde tudo é mais fácil e onde podem ser felizes. Mas será a América, hoje, tudo isso?
Para lá do inverno tem uma história muito atual!
As questões políticas e sociais dos países da América Latina, a dificuldade de sair dos seus países, os motivos de saída, a questão dos imigrantes ilegais nos EUA...
Mas também tem um apelo ao AMOR, ás segundas oportunidades, à Esperança, ao companheirismo...
Para lá do inverno apesar de conter críticas duras à nova política de Donald Trump, foca também a importância do Amor, da Empatia, dos animais de companhia, do envelhecimento, da pobreza...
Para lá do inverno consegue fazer com que fiquemos agarrados à sua leitura, pelo simples prazer de uma escrita fácil, de qualidade e muito atual. 
Para lá do inverno é um livro excecional. Adorei!

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Dr. Henrique Nabais

 

Faz hoje 1 ano que este distinto médico e investigador faleceu. Já todas as homenagens foram feitas mas serão sempre poucas para agradecer as vidas que ele salvou... pela vida da minha filha, mais uma vez os meus sinceros agradecimentos e desejos que descanse em Paz porque bem merece. Obrigada!!


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

"Não Desistas de Mim" - Luísa Castel-Branco

 

Sinopse: 

Uma história suave que se vai intensificando com o desenrolar dos acontecimentos.

Ema, uma menina de Lisboa, filha mais nova de uma família burguesa que, no período da Revolução, vai com a família para uma propriedade no campo...
Ema acreditava nos desígnios de Deus mas não encontrava respostas para as suas perguntas...
Mas sabe agora que a vida é um percurso difícil, nem sempre justo, muitas vezes apenas composto por lágrimas...

Felismina, uma rapariga pobre, cresce nos arredores de Lisboa, educada por uma mãe cruel e manipuladora.
Felismina consegue libertar-se das amarras da sua vida de miséria...

Uma criança desaparece!

Numa atmosfera densa o mundo de Ema cruza-se com o de Felismina depois duma descida aos infernos...


Em 2010 li dois livros de Luísa Castel-Branco, conforme aqui e aqui e hoje li também este "Não Desistas de Mim" e também gostei!
Não é um livro recente, é de 2011 mas bastante interessante. 
Está escrito de um modo que prende o leitor e lê-se rápido. 
Houve até momentos que me senti comovida com o desenrolar da história.
Recomendo!

domingo, 9 de agosto de 2026

"A Ilha das Trevas" de José Rodrigues dos Santos


Sinopse: 

Paulino Jesus da Conceição é um timorense com um terrível segredo. 
Assistiu, juntamente com a família, à saída dos portugueses de Timor-Leste e a todos os acontecimentos que se seguiram, tornando-se um mero peão nas circunstâncias que mediaram a invasão Indonésia de 1975 e o Referendo de 1999 que deu a Independência ao país.
Só há uma pessoa a quem Paulino pode confessar o seu segredo - mas terá coragem para o fazer?
A vida e tragédia de uma família timorense serve de ponto de partida para aquele que é o romance de estreia de José Rodrigues dos Santos, precursor de grandes êxitos.
Um romance onde a ficção se mistura com o real para expor, num ritmo dramático, poderoso e intenso, a trágica verdade que só a criação literária, quando aliada à narrativa histórica, consegue revelar.


"A Ilha das Trevas" foi para mim, um verdadeiro murro no estômago! 
Como aqui no blogue podem verificar, já li diversos livros deste autor, mas embora este livro tivesse sido adquirido assim que foi publicado, fui lendo outros e este foi ficando para trás... como tantos outros que ali tenho a espera... talvez porque ao contrario dos outros, este não seja um calhamaço... eu gosto de ler calhamaços! Não sei! Não lhe dei muita atenção... Que tontaria...

"A Ilha das Trevas" é um Romance bastante diferente de todos os outros que já li do José Rodrigues dos Santos. 

"A Ilha das Trevas" é impossível lê-lo e ficar indiferente! É um livro que me deixou incomodada, meio ansiosa, revoltada... Aprendi imenso ao ler este livro! Recordei! Recordei as imagens do massacre no cemitério de Sta. Cruz em Díli... as manifestações... o premio Nobel... Os Trovante... o Luís Represas... Ai Timor, calam-se as vozes dos teus avós, Ai Timor, se outros calam, cantemos nós... enfim... Um livro muito, muito bom!

"A Ilha das Trevas" é uma mistura de realidade com história e com ficção... mas essa mistura ajuda a contar a história/verdade sem se tornar chata/aborrecida e tomamos um banho de realidade mas... queremos continuar a ler e tomar conhecimento dos acontecimentos seguintes e mais e mais ... um livro extremamente interessante de tão realista... 

"A Ilha das Trevas" é, na minha opinião, de todos os livros que que já li do José Rodrigues dos Santos, o melhor!

"A Ilha das Trevas" é um livro que conta a história recente de Timor Leste.
Desde a descolonização/abandono por Portugal, após a Revolução dos cravos/o 25 de Abril de 1974, seguida da Invasão Indonésia em 1975, passando por todos os massacres efetuados a população por parte dos Indonésios, efetuados ao longo de 24 anos... até... até... até que nasce o primeiro país do sec. XXI... Timor Leste!

"A Ilha das Trevas" é  uma história contada com precisão e é intensa, comovente e dilacerante. O facto de saber que foi real, obrigou-me a pensar no quanto abominável e nojenta consegue ser a espécie humana, capaz de realizar males que envergonham a civilização. Tendo em conta as atuais guerras no Mundo... Ucrânia... Palestina...

domingo, 2 de agosto de 2026

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Rod Stewart


Rod Stewart - Sir Roderick David Stewart, nasceu em 10 de janeiro de 1945 e é um cantor e compositor Britânico. Conhecido por sua voz rouca e distinta.

"Construção" - Chico Buarque de Hollanda

 

"Valsinha" - Chico Buarque - Francisco Buarque de Hollanda



sábado, 25 de julho de 2026

Fredrik Backman - "A minha avó pede desculpa" e "Britt-Marie esteve aqui"

               

"A minha avó pede desculpa"

Sinopse:

Elsa tem sete anos de idade, quase oito, e é diferente.
Para já, tem como melhor e única amiga a avó de setenta e sete anos de idade, que é doida: não levemente taralhouca, mas doida varrida a sério.
Capaz de se pôr à varanda a tentar atingir pessoas que querem falar sobre Jesus, com uma arma de paintball, ou assaltar um jardim zoológico, porque a neta está triste. 
Todas as noites, Elsa refugia-se nas histórias da Avozinha, em cujo cenário é o reino de Miamas, na Terra-de-Quase-Acordar.
Um reino mágico onde o normal é ser diferente.
Quando a Avozinha morre de repente, deixa uma série de cartas a pedir desculpa às pessoas que prejudicou, tem início a maior aventura de Elsa. 
As cartas levam Elsa a descobrir o que se esconde por detrás das vidas de cada um dos estranhíssimos moradores de um prédio muito especial, mas também, à verdade sobre contos de fadas, reinos encantados e a forma como as escolhas do passado de uma mulher ímpar, criam raízes no futuro dos que a conheceram...
"A Minha Avó Pede Desculpa" é uma belíssima história, escrita por Fredrik Backman e contada com sentido de humor e emoção.

                                                                                                         

"A Minha Avó Pede Desculpa" é um livro divertido, comovente e diferente, bem como as personagens que o compõem. 
É lindo, cheio de frases enternecedoras e contém uma mensagem especial: 
"... Todas as pessoas são únicas, maravilhosas e diferentes..."
Ao longo da sua leitura, vai-se descobrindo o lado aventureiro e "fora da caixa" da Avó. 
De tal modo que por vezes, Elsa era mais responsável que a Avó.
É um livro carregado de metáforas, ironia e emoção!
Todas as personagens daquele prédio especial, onde todos vivem, estão ligados uns aos outros, de alguma forma e de certo modo, todos têm histórias de vidas incríveis...
GOSTEI!

"Britt-Marie esteve aqui"

Sinopse:

Não é que Britt-Marie seja uma pessoa crítica, exigente ou difícil, ela apenas espera que as coisas sejam feitas de uma determinada forma. 
Uma gaveta de talheres desarrumada está no topo da sua lista de pecados imperdoáveis. 
Os seus dias começam, impreterivelmente, às seis da manhã, porque apenas os lunáticos acordam mais tarde do que essa hora. 
E não é passivo-agressiva. De modo nenhum. 
As pessoas é que, às vezes, interpretam as suas sugestões úteis como críticas, o que não é, de todo, a sua intenção. 
Afinal, Britt-Marie não é alguém que julgue os outros, não importa o quão mal-educados, desleixados ou moralmente suspeitos eles possam ser.
Quando Britt-Marie descobre que Kent, o marido, lhe é infiel, a sua vida perfeitamente organizada, de repente, desorganiza-se. 
Tendo de passar a sustentar-se sozinha, arranja um emprego temporário como zeladora do centro recreativo de Borg. 
Nessa posição, a exigente Britt-Marie tem de lidar com muita sujidade, eletrodomésticos temperamentais, indisciplina a rodos e até uma ratazana como companheira. 
Britt-Marie vê-se então arrancada da sua zona de conforto e arrastada para a vida dos seus concidadãos de Borg, uma estranha mistura de seres desesperados, canalhas, bêbedos e vagabundos, sendo incumbida da impossível tarefa de levar a equipa de futebol local, composta por várias crianças sem qualquer tipo de talento para acertar numa bola, à vitória.
E, quando um dia Kent aparece a pedir-lhe desculpa, ela tem de decidir, de uma vez por todas, o que realmente deseja da vida. 
Nesta pequena localidade de gente inadaptada, pode Britt-Marie encontrar o lugar a que realmente pertence?
Engraçado e comovente, perspicaz e humano, "Britt-Marie esteve aqui" celebra as amizades inesperadas que nos mudam para sempre e o poder do mais gentil dos espíritos, para tornar o mundo um lugar melhor.

                           

Para se entender melhor a história de "Britt-Marie esteve aqui", será sempre aconselhável ter-se já lido "A Minha Avó Pede Desculpa", porque Britt-Marie e o seu marido Kent já faziam parte do seu elenco e, já sabemos porque razão Britt-Marie terá resolvido se separar dele. 
Diria mesmo que essa foi a razão que levou a toda a história que se desenrola no livro "Britt-Marie esteve aqui".
Fredrik Backman com o seu talento, emoção, empatia e humor, consegue construir uma história em que nada é real, tudo fantasia, aliás começa logo por nos informar que a pequena localidade de BORG, não existe, tudo imaginação, mas de novo, tal como no livro "A Minha Avó Pede Desculpa" consegue com o seu talento para "contar coisas sérias em tom de brincadeira", consciencializar-nos sobre os anos que passam por nós a correr, sem darmos conta deles, bem como, existem pessoas que dedicam a sua vida aos outros, especialmente aos seus maridos/filhos, anulando-se totalmente, e depois, um dia, talvez tenham de lidar com a separação/divórcio/viuvez/incapacidade..., após quarenta ou mais anos de casamento, como será penoso ter de reconstruir a vida toda, após os 60 anos... a dificuldade de encontrar emprego com essa idade... 
Fredrik Backman conseguiu caracterizar de tal modo Britt-Marie, que enquanto se lê o livro, é impossível pensar que ela não existe mesmo... mas ela de facto existe, talvez não tenha este nome, mas outro... haverá imensas Britt-Maries por aí?...
Britt-Marie apenas quer amar e ser amada... 
Talvez nunca seja tarde para darmos uma segunda oportunidade à nossa vida. 
Mas é necessário sermos muito persistentes até conseguirmos atingir os nossos sonhos!

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Luís Represas

Luís Paulo Fontes Represas nasceu a 24 de Novembro de 1956 e faleceu hoje, dia 22 de Julho de 2026, aos ainda 69 anos e mais uma vítima de cancro do pulmão...

No Verão de 1976 juntamente com João Gil e outros, fundaram o Grupo Trovante, uma banda que terá sido apadrinhada pelo saudoso Carlos do Carmo...

Banda de tantas canções icónicas que todos temos em memória! Fica uma obra musical rica na memoria de várias gerações...

As homenagens têm sido imensas e de todos sem exceção... deixo aqui as duas que mais me sensibilizaram, a do nosso atual Presidente da Republica, Dr. António José Seguro, bastante sensibilizado e a de Luís Osório, através da sua Publicação Diária, "Postal do Dia".

António José Seguro, amigo de Luís Represas, recordou o artista no Parlamento de Cabo Verde, país onde está em visita oficial e, deixou uma mensagem emocionada durante o seu discurso:
"... Hoje perdi um amigo..." 
"... É o sentimento de quem perde um amigo... " 
"... Em nome de Portugal, curvo-me perante a sua memória com gratidão... " 
"... Há vozes que não pertencem apenas a quem as canta. Pertencem ao tempo, à memória e ao coração de um povo... "
"... Hoje perdi um amigo. Choro, em Cabo Verde, a sua partida... "
"... A partida do Luís Represas não encontrará silêncio. Encontrará as canções que deixou acesas, como pequenas luzes sobre a vida de tantas gerações de portugueses. Encontrará melodias que continuarão a nascer em cada reencontro, em cada saudade, em cada instante em que alguém voltar a cantar as palavras que ele nos ofereceu. Partiu o homem. Ficou a voz... "
"... Uma voz que soube transformar a nostalgia em esperança, a simplicidade em beleza e a música num lugar onde Portugal tantas vezes se reconheceu. Das praças aos palcos, dos dias de festa aos momentos de recolhimento, o seu talento ensinou-nos que há canções capazes de vencer o tempo. O Luís Represas será sempre um dos nossos maiores. E Portugal, em dor, canta as suas canções... "
"... À família, amigos, companheiros dos Trovante e todos aqueles que hoje sentem que perderam alguém da sua própria casa, endereço um abraço com profunda solidariedade... "
"... Enquanto houver quem cante as suas canções, Luís Represas continuará a regressar. Não como lembrança distante, mas como presença viva, nessa forma discreta e luminosa que só a verdadeira arte conhece... "


" Viver tudo numa noite "

Morreu Luís Represas. Conheci-o em criança, em casa do meu pai, ao piano. Ele e todos os Trovante. Eram miúdos, no final da adolescência ou no início da vida adulta, estavam a preparar o seu primeiro álbum “Chão Nosso”. O Luís, e o João Gil e Manuel Faria, ainda não eram ídolos, mas foram-no. Mais do que qualquer músico em Portugal na década de 1980 e em metade da década de 1990. Foram eles a fazer a transição dos grandes músicos de intervenção para um novo mundo – eles próprios fizeram-na entre o segundo e o terceiro álbum. Não interessa.

Luís Represas era a estrela. A sua voz, presença, magnetismo e inteligência mudaram a face da música popular. E não temos de o chorar. Ele viveu uma vida cheia. Cumpriu-se, ficou na história e vamos cantá-lo até ao fim dos tempos. E Deus – ou alguém por Ele ofereceu-lhe a possibilidade de se despedir do público com quatro concertos que foram absolutamente mágicos. Já estava muito doente, mas eu não sabia. Mas já estava. E na sua cabeça era mesmo a despedida, a sua ultima vez. Impressionante a maneira como o fez. Sem alardes, sem chorinhos, sem nada que não tivesse feito se lhe estivessem destinados cem anos de vida.

Agora percebo o título dos últimos espetáculos: " Viver tudo numa noite ".
Os mais novos talvez não imaginem do que estou a falar, certamente que lhes é difícil entender que existia mundo antes deles, que existia música antes da música que ouvem, que os seus pais ou avós tenham sido jovens como eles. É-lhes difícil, quase impossível, saberem o que Trovante representou na cultura portuguesa, na construção da democracia, na capacidade de a música ser a prova de que qualquer coisa estava a acontecer de novo em Portugal.

Lá estive para os ouvir, para ouvir o Luís Represas. Ameaçaram viver tudo numa noite e cumpriram. Ou em quatro. Mas eu, querido Luís Represas, enquanto por aqui estiver, continuarei desperto com algumas daquelas canções que nunca deixaram de tocar em mim, que me ajudaram a ser o que sou, que me fizeram chorar, desejar, amar, dançar, pensar, ser futuro e respeitar o passado.

Trovante é a banda da minha vida. É memória de manhãs, tardes, noites e madrugadas. Sei as músicas de cor, apaixonei-me por quem as cantou comigo, adormeci todos os meus filhos com aquelas canções, lamentei as mortes e as perdas a ouvir a guitarra do João, a voz do Luís e o piano do Manuel. O meu pai já o deve ter reencontrado. E eu canto Molinera.


Eu partilho de todas as ideias acima descritas, tudo!
Assisti também ao espetáculo " Viver tudo numa noite " e também agora percebo...
Aqui fica a minha recordação 

sábado, 18 de julho de 2026

"Véspera" - Carla Madeira

     
     
   
SINOPSE: Vedina, uma mulher traumatizada por um casamento destroçado, decide, num momento de descontrolo, abandonar o filho, largá-lo. 
Assim que o faz, contudo, arrepende-se de pronto, regressando ao local onde deixara o pequeno. 
Mas já nada encontra no local, nem a criança nem quaisquer vestígios da sua presença.
A partir de então, a história prossegue, contada em dois tempos, levando o leitor a um mundo de medos e sombras, de vícios desgraçados e comportamentos controladores, remexendo as entranhas de uma família violenta e perdida, enquanto procura responder a uma dúvida essencial e sempre presente: como se chega ao limite?
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"Véspera" de Carla Madeira, conta a história da família de Custódia e seu marido Antunes e de seus filhos Abel e Caim, e ao longo da história vamos tomando conhecimento dos pais, avós, tios, noras, etc.
A história começa com o desespero de Vedina, mulher de Abel, uma mulher marcada por um casamento fracassado, que num momento de descontrole total, abandona o seu filho, Augusto, um menino de apenas 5 anos, em uma rua e, ao se arrepender, retorna para encontrá-lo mas sem qualquer vestígio de sua presença...
A história é contada em capítulos intercalados, um contando o que está sucedendo com o abandono de Augusto por Vedina e outro retrocedendo no tempo, contando as vidas passadas... desencadeando assuntos, atitudes, acontecimentos intensos sobre famílias, traumas e escolhas irreversíveis e traumatizantes...
Essa narrativa mantém o suspense e leva o leitor a unir os pontos entre o passado e o presente, as causas e os efeitos... 
Conclui-se que as ações de outrora, do passado, moldam e marcam os destinos atuais e de agora...

Um pouco de história bíblica: Adão e Eva, tiveram 2 filhos gémeos, Caim e Abel. Caim matou Abel. Esta morte terá sido o primeiro homicídio da humanidade. 

D. Custódia e Sr. Antunes, tiveram 2 gémeos a quem o pai colocou o nome de Abel e Caim, para castigar sua mulher... os gémeos, sempre conviveram com a angústia materna de que a histórica bíblica se repetisse, em forma de tragédia profetizada.
Estes e outros tantos acontecimentos do passado, são rastilhos que demonstram como o ambiente familiar pode ser tanto um refúgio quanto uma prisão...
Quanto ao desfecho do abandono do pequeno Augusto... para mim foi chocante... mas também brilhante...

quarta-feira, 1 de julho de 2026

"O caderno proibido" de Alba de Céspedes

"O caderno proibido" 
Alba de Céspedes

 

Alba de Céspedes, nasceu em Roma, em 11 de Março de 1911. 
Era filha de Carlos Manuel de Céspedes y Quesada, Embaixador Cubano em Itália e que tinha sido Presidente Cubano por alguns meses em 1933.
Cresceu portanto, numa família rica e politicamente comprometida com um sentido progressista e antifascista. 


Sinopse: 

Roma, década de 1950: Valeria Cossati uma mulher de 43 anos, casada, com dois filhos adultos, exausta pela dupla jornada de dona de casa e secretária de um escritório, vai comprar cigarros para o marido, ignorando que sairá da tabacaria com um caderno que há-de mudar a sua vida. 
Ao transformar esse caderno num diário secreto onde regista pensamentos e desejos do dia-a-dia, Valeria Cossati transforma-o num instrumento de emancipação: liberta-se das convenções sociais, do sentido de dever para com o marido e os filhos, dos limites autoimpostos que regem o seu pequeno mundo. 
A partir daqui, tudo é questionado. 
Valeria Cossati compreende que está em translação e decide conquistar o lugar que escolheu para si...
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"O caderno proibido", foi uma verdadeira revelação, um livro quase com a minha idade, mas que é duma atualidade incrível e no qual me revi, e certamente muitas mulheres que tiverem oportunidade de o ler, sentirão o mesmo. 
É quase arrepiante tomar conhecimento que tantas décadas passadas, o enredo é atual, poder se ia afirmar que foi escrito ontem ou até mesmo hoje...
São abordadas questões do quotidiano, em Roma dos anos 50 do século 20 que, ainda hoje, em Lisboa dos anos 20 do século 21, são tão atuais, assustador! 

"O caderno proibido", aborda temas e inquietações intemporais: o envelhecimento, a sexualidade, os preconceitos sociais, a família, os conflitos geracionais, a ânsia de liberdade e de felicidade...

"O caderno proibido", relata a revolução de sentimentos e pensamentos na vida de Valeria Cossati, uma mulher italiana de 43 anos, casada há 22, mãe de uma rapariga e de um rapaz, empregada num escritório e que um dia começa a escrever num caderno de capa preta reflexões sobre si e a sua vida.
Essa escrita no caderno, transforma-se num diário muito pessoal que, a pouco e pouco, vai obrigá-la a questionar tudo: a família, o casamento e, sobretudo, ela própria.
Escrever um diário permitiu a Valeria Cossati, refletir sobre o que pensa e sente e entender que ainda havia espaço para ser uma mulher interessante, ser atraente, ser amada. 
Valeria Cossati, é uma mulher tradicional, preconceituosa, educada para se apagar nos cuidados com o marido e os filhos, viver em função dos outros, gerir um orçamento limitado que a leva a comprar para si, só o indispensável, com uma vida social muito limitada.
Valeria Cossati, tem ânsias de verter para o papel as suas inquietações, aquilo que nunca confessou a ninguém, nem a si mesma... que se sente escrava da família e da casa; que não sabe o que é o descanso; que nunca teve tempo para ler um livro; que encara a família como um lugar de opressão; que o casamento e o nascimento dos filhos foram os únicos pontos altos da sua vida e que tudo o resto foi insignificante; que embora ache que na sua idade já é tudo tarde de mais, descubra que ainda é possível amar fora do casamento; que para sobreviver precisa de mentir...

Aconselho vivamente!!

domingo, 21 de junho de 2026

A minha Caturra

Estamos em Pombal. 

Viemos passar uns dias, mudar de ares...

Ontem, repetiu-se a história de há 7 anos atrás...

A diferença é que não vamos buscar mais nenhuma... é uma dor forte perder um animal...

Foram 7 anos de Muito Amor!

Como ela veio apenas com 2 semanas de vida, criei-a a biberon de 2 em 2 horas... 

Ela, chamava-me "mami"... eu, chamava-lhe "Catu"...

Gostaria de acreditar que ela foi ser Feliz em Liberdade mas não creio...

quinta-feira, 18 de junho de 2026

domingo, 7 de junho de 2026

"Um Amor Feliz" de David Mourão Ferreira


David Mourão-Ferreira foi poeta, romancista, novelista, dramaturgo, ensaísta, cronista, tradutor, crítico literário, professor e, até talvez, muito outras coisas mais...
David Mourão-Ferreira foi movido pelo Amor... são dele os mais belos poemas de amor da Literatura Portuguesa.
David Mourão-Ferreira inventou a palavra "escreviver" que simbolizava o quanto ele "Precisava de Viver para Escrever e de Escrever para Viver"...
David Mourão-Ferreira nasceu a 24 de Fevereiro de 1927, em Lisboa, onde veio a falecer a 16 de Junho de 1996.

"Um Amor Feliz" é o único romance escrito por David Mourão-Ferreira e foi publicado em 1986. Recebeu o Grande Prémio de Romance da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio D. Dinis e o Prémio de Ficção do Município de Lisboa. 

"Um Amor Feliz" é uma obra que explora o tema do Amor, refletindo sobre a relação entre Fernão e Y, bem como a "relação/conversa" do autor com quem está a ler o romance... 
"Um Amor Feliz" é uma busca por um "Amor Feliz" e a evolução da relação amorosa ao longo do tempo... 
A sua última frase: ..."é um livro para ser lido com a intervenção activa daquele que o lê".

domingo, 31 de maio de 2026

Helena Tavares - "Na rua dos meus ciúmes"


A RUA DOS MEUS CIÚMES

Na rua dos meus ciúmes
Onde eu morei e tu moras
Vi-te passar fora de horas
Com a tua nova paixão
De mim não esperes queixumes
Quer seja desta ou daquela
Pois sinto só pena dela
E até lhe dou meu perdão

Na rua dos meus ciúmes
Deixei o meu coração.
Inda que me custe a vida
Pensarei com ar sereno
Que esse teu ombro moreno
Beijos de amor vão queimar

Saudades são fé perdida
São folhas mortas ao vento
Que eu piso sem um lamento
Na tua rua ao passar
Inda que me custe a vida
Não hás de ver-me chorar.

Mais uma capa





Terminei esta capinha e ainda não sei bem qual o seu destino.
Logo se verá.














quinta-feira, 30 de abril de 2026

"Nem por isso" de Maria Roma

 

Sinopse:

"Nem por isso" é um romance sobre quatro mulheres e quatro homens, amigos de longa data, cujo quotidiano é dominado pelo impulso imparável, do correr dos seus dias, num mundo complexo e intenso. 

Onde a amizade, a paixão e o amor os envolvem numa teia intrigante determinando as suas decisões, desatinos de alma, discussões, prazeres e entrega mútua. 

Mas também as suas incertezas, momentos inesquecíveis, desamores, traições e alegrias espontâneas. Que os desafiam constantemente. 

Contudo, sempre com consentimento, que por vezes, surpreende e não se conseguem libertar...

Tudo numa valsa imparável. a que alguns não resistem...

Mesmo que o desespero se avizinhe... Por vezes até ao limite...

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È um livro muito interessante, com voltas e revoltas, amores e desamores, com tinos e desatinos, certezas e incertezas... 

Mas acima de tudo, com muita Sinceridade, Respeito e Verdade mutuas! 

Princípios com que Todos nos deveríamos relacionar!

GOSTEI! Tenciono ler mais outros da autora Maria Roma, pseudónimo de Maria José Salgado Sarmento de Matos Freitas do Amaral.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Dupla Free Acro Souls - VENCEDORES da 10ª. Edição Got Talent Portugal 2026


Free Acro Souls, foram os Vencedores da 10ª. edição do Got Talent 2026.
Foi muitíssimo bem ganho! 
Eles são uma dupla Extraordinária!
Misturam acrobacias com Yoga e talvez mesmo Vida Pessoal... PARABÉNS!!

domingo, 12 de abril de 2026

"O Retorno" de Dulce Maria Cardoso

"O Retorno"

de 

Dulce Maria Cardoso


Gostei bastante de ler!
Aconselho a sua leitura!

Recordo-me bem desses tempos, tempos difíceis para todos. Não só para os que vieram mas também para os que de cá nunca saíram.
Tempo em que todos precisavam de emprego e que, os empregos nas empresas Públicas, Municipais e outras, foram guardados, não para os de cá, mas para os que retornavam... tempos difíceis esses!!

Verdade, é que também nos mudaram... eramos muitos cinzentos, fruto de uma ditadura longa, em que tudo era proibido, principalmente para as mulheres, tudo lhes estava vedado...

A chegada deles junto com a nossa Revolução, foi como um sopro de ar fresco. De repente vimos mulheres a frequentar os cafés, vimos mulheres vestidas com roupa colorida e mostrando partes dos corpos, sem qualquer receio de falatório, coisa que sempre nos tinham incutido e que nos inibia de nos mostrarmos o que fazia de nós pessoas cinzentas... A pouco e pouco, fomos todos nós ficando diferentes, mas na minha opinião, para melhor.

Dulce Maria Cardoso é Portuguesa de Trás-os-Montes. Nasceu em 1964 e viveu depois em Angola dos 6 meses de idade até o princípio da guerra civil, que deflagrou após a independência do país.
Assim, com conhecimento de causa, escreveu este livro "O Retorno" e descreveu resumidamente, como exemplo, sobre os cerca de 600 mil Portugueses que regressaram de África em situações dramáticas e que aterraram em Portugal, em 1975.

A história é contada por Rui, um adolescente de 15 anos, que vivia em Angola com a sua família. A vida que ele conhecia é abruptamente interrompida com a independência do país e o clima de instabilidade política e social. 
De repente, Rui e a sua família são forçados a abandonar tudo: a casa, os amigos, as memórias... e têm de embarcar, sem o pai, para Portugal.
Quando chegam a Lisboa, Rui encontra um país que não conhece, marcado pela "Revolução dos Cravos", em crise e com mudanças Políticas e Sociais. 
A adaptação é dura e a família luta para sobreviver, em um cenário completamente diferente daquele que conheciam.

Sinopse:

1975, Luanda. A descolonização instiga ódios e guerras. Os brancos debandam e em poucos meses chegam a Portugal mais de meio milhão de pessoas. O processo revolucionário está no seu auge e os retornados são recebidos com desconfiança e hostilidade. Muitos nao têm para onde ir nem do que viver. Rui tem quinze anos e é um deles. 1975. Lisboa. Durante mais de um ano, Rui e a família vivem num quarto de um hotel de 5 estrelas a abarrotar de retornados — um improvável purgatório sem salvação garantida que se degrada de dia para dia. A adolescência torna-se uma espera assustada pela idade adulta: aprender o desespero e a raiva, reaprender o amor, inventar a esperança. África sempre presente mas cada vez mais longe...

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Sr. Engenheiro - Alegadamente um Musical

"Sr. Engenheiro - Alegadamente Um Musical" é uma sátira musical inspirada na vida do ex-primeiro-ministro José Sócrates e estreou a 1 de abril de 2026.
Esta sátira, narra, resumidamente, desde o seu inicio nas Beiras até á sua vida faustosa em Paris, explorando as suas relações pessoais com aquele "Amigo" (que todos gostaríamos de ter mas que...) generoso, tão generoso... e com um motorista que sabe demais... e até foca a licenciatura tirada ao Domingo... e as "fotocopias"...
Tudo isto, inspirado em factos do conhecimento público e com uma abordagem humorística e muito engraçada.
Tendo em conta que tudo vai Caducando... ele vai voltar em 2031... candidato à Presidência...
Vão ver porque vão gostar!!