quarta-feira, 22 de julho de 2026

Luís Represas

Luís Paulo Fontes Represas nasceu a 24 de Novembro de 1956 e faleceu hoje, dia 22 de Julho de 2026, aos ainda 69 anos e mais uma vítima de cancro do pulmão...

No Verão de 1976 juntamente com João Gil e outros, fundaram o Grupo Trovante, uma banda que terá sido apadrinhada pelo saudoso Carlos do Carmo...

Banda de tantas canções icónicas que todos temos em memória! Fica uma obra musical rica na memoria de várias gerações...

As homenagens têm sido imensas e de todos sem exceção... deixo aqui as duas que mais me sensibilizaram, a do nosso atual Presidente da Republica, Dr. António José Seguro, bastante sensibilizado e a de Luís Osório, através da sua Publicação Diária, "Postal do Dia".





O Presidente da República, amigo de Luís Represas, recordou o artista que faleceu esta quarta-feira, aos 69 anos. No Parlamento de Cabo Verde, país onde está em visita oficial, deixou uma mensagem emocionada durante o seu discurso. 



POSTAL DO DIA
Viver tudo numa noite
1.
Morreu Luís Represas. Conheci-o em criança, em casa do meu pai, ao piano. Ele e todos os Trovante. Eram miúdos, no final da adolescência ou no início da vida adulta, estavam a preparar o seu primeiro álbum “Chão Nosso”. O Luís, e o João Gil e Manuel Faria, ainda não eram ídolos, mas foram-no. Mais do que qualquer músico em Portugal na década de 1980 e em metade da década de 1990. Foram eles a fazer a transição dos grandes músicos de intervenção para um novo mundo – eles próprios fizeram-na entre o segundo e o terceiro álbum. Não interessa.
2.
Luís era a estrela. A sua voz, presença, magnetismo e inteligência mudaram a face da música popular. E não temos de o chorar. Ele viveu uma vida cheia. Cumpriu-se, ficou na história e vamos cantá-lo até ao fim dos tempos. E Deus – ou alguém por E’le ofereceu-lhe a possibilidade de se despedir do público com quatro concertos que foram absolutamente mágicos. Já estava muito doente, mas eu não sabia. Mas já estava. E na sua cabeça era mesmo a despedida, a sua ultima vez. Impressionante a maneira como o fez. Sem alardes, sem chorinhos, sem nada que não tivesse feito se lhe estivessem destinados cem anos de vida.
3.
Agora percebo o título dos últimos espetáculos – “Viver tudo numa Noite”.
Os mais novos talvez não imaginem do que estou a falar, certamente que lhes é difícil entender que existia mundo antes deles, que existia música antes da música que ouvem, que os seus pais ou avós tenham sido jovens como eles. É-lhes difícil, quase impossível, saberem o que Trovante representou na cultura portuguesa, na construção da democracia, na capacidade de a música ser a prova de que qualquer coisa estava a acontecer de novo em Portugal.
4.
Lá estive para os ouvir, para ouvir o Luís. Ameaçaram viver tudo numa noite e cumpriram. Ou em quatro. Mas eu, querido Luís, enquanto por aqui estiver, continuarei desperto com algumas daquelas canções que nunca deixaram de tocar em mim, que me ajudaram a ser o que sou, que me fizeram chorar, desejar, amar, dançar, pensar, ser futuro e respeitar o passado.
5.
Trovante é a banda da minha vida. É memória de manhãs, tardes, noites e madrugadas. Sei as músicas de cor, apaixonei-me por quem as cantou comigo, adormeci todos os meus filhos com aquelas canções, lamentei as mortes e as perdas a ouvir a guitarra do João, a voz do Luís e o piano do Manuel. O meu pai já o deve ter reencontrado. E eu canto Molinera.

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