"O caderno proibido"
Alba de Céspedes
Alba de Céspedes, nasceu em Roma, em 11 de Março de 1911.
Era filha de Carlos Manuel de Céspedes y Quesada, Embaixador Cubano em Itália e que tinha sido Presidente Cubano por alguns meses em 1933.
Cresceu portanto, numa família rica e politicamente comprometida com um sentido progressista e antifascista.
Sinopse:
Ao transformar esse caderno num diário secreto onde regista pensamentos e desejos do dia-a-dia, Valeria Cossati transforma-o num instrumento de emancipação: liberta-se das convenções sociais, do sentido de dever para com o marido e os filhos, dos limites autoimpostos que regem o seu pequeno mundo.
A partir daqui, tudo é questionado.
Valeria Cossati compreende que está em translação e decide conquistar o lugar que escolheu para si...
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"O caderno proibido", foi uma verdadeira revelação, um livro quase com a minha idade, mas que é duma atualidade incrível e no qual me revi, e certamente muitas mulheres que tiverem oportunidade de o ler, sentirão o mesmo.
É quase arrepiante tomar conhecimento que tantas décadas passadas, o enredo é atual, poder se ia afirmar que foi escrito ontem ou até mesmo hoje...
São abordadas questões do quotidiano, em Roma dos anos 50 do século 20 que, ainda hoje, em Lisboa dos anos 20 do século 21, são tão atuais, assustador!
"O caderno proibido", aborda temas e inquietações intemporais: o envelhecimento, a sexualidade, os preconceitos sociais, a família, os conflitos geracionais, a ânsia de liberdade e de felicidade...
"O caderno proibido", relata a revolução de sentimentos e pensamentos na vida de Valeria Cossati, uma mulher italiana de 43 anos, casada há 22, mãe de uma rapariga e de um rapaz, empregada num escritório e que um dia começa a escrever num caderno de capa preta reflexões sobre si e a sua vida.
Essa escrita no caderno, transforma-se num diário muito pessoal que, a pouco e pouco, vai obrigá-la a questionar tudo: a família, o casamento e, sobretudo, ela própria.
Escrever um diário permitiu a Valeria Cossati, refletir sobre o que pensa e sente e entender que ainda havia espaço para ser uma mulher interessante, ser atraente, ser amada.
Valeria Cossati, é uma mulher tradicional, preconceituosa, educada para se apagar nos cuidados com o marido e os filhos, viver em função dos outros, gerir um orçamento limitado que a leva a comprar para si, só o indispensável, com uma vida social muito limitada.
Valeria Cossati, tem ânsias de verter para o papel as suas inquietações, aquilo que nunca confessou a ninguém, nem a si mesma... que se sente escrava da família e da casa; que não sabe o que é o descanso; que nunca teve tempo para ler um livro; que encara a família como um lugar de opressão; que o casamento e o nascimento dos filhos foram os únicos pontos altos da sua vida e que tudo o resto foi insignificante; que embora ache que na sua idade já é tudo tarde de mais, descubra que ainda é possível amar fora do casamento; que para sobreviver precisa de mentir...
Aconselho vivamente!!

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