Luís Paulo Fontes Represas nasceu a 24 de Novembro de 1956 e faleceu hoje, dia 22 de Julho de 2026, aos ainda 69 anos e mais uma vítima de cancro do pulmão...
No Verão de 1976 juntamente com João Gil e outros, fundaram o Grupo Trovante, uma banda que terá sido apadrinhada pelo saudoso Carlos do Carmo...
Banda de tantas canções icónicas que todos temos em memória! Fica uma obra musical rica na memoria de várias gerações...
As homenagens têm sido imensas e de todos sem exceção... deixo aqui as duas que mais me sensibilizaram, a do nosso atual Presidente da Republica, Dr. António José Seguro, bastante sensibilizado e a de Luís Osório, através da sua Publicação Diária, "Postal do Dia".
António José Seguro, amigo de Luís Represas, recordou o artista no Parlamento de Cabo Verde, país onde está em visita oficial e, deixou uma mensagem emocionada durante o seu discurso:
"... Hoje perdi um amigo..."
"... É o sentimento de quem perde um amigo... "
"... Em nome de Portugal, curvo-me perante a sua memória com gratidão... "
"... Há vozes que não pertencem apenas a quem as canta. Pertencem ao tempo, à memória e ao coração de um povo... "
"... Hoje perdi um amigo. Choro, em Cabo Verde, a sua partida... "
"... A partida do Luís Represas não encontrará silêncio. Encontrará as canções que deixou acesas, como pequenas luzes sobre a vida de tantas gerações de portugueses. Encontrará melodias que continuarão a nascer em cada reencontro, em cada saudade, em cada instante em que alguém voltar a cantar as palavras que ele nos ofereceu. Partiu o homem. Ficou a voz... "
"... Uma voz que soube transformar a nostalgia em esperança, a simplicidade em beleza e a música num lugar onde Portugal tantas vezes se reconheceu. Das praças aos palcos, dos dias de festa aos momentos de recolhimento, o seu talento ensinou-nos que há canções capazes de vencer o tempo. O Luís Represas será sempre um dos nossos maiores. E Portugal, em dor, canta as suas canções... "
"... À família, amigos, companheiros dos Trovante e todos aqueles que hoje sentem que perderam alguém da sua própria casa, endereço um abraço com profunda solidariedade... "
"... Enquanto houver quem cante as suas canções, Luís Represas continuará a regressar. Não como lembrança distante, mas como presença viva, nessa forma discreta e luminosa que só a verdadeira arte conhece... "
" Viver tudo numa noite "
Morreu Luís Represas. Conheci-o em criança, em casa do meu pai, ao piano. Ele e todos os Trovante. Eram miúdos, no final da adolescência ou no início da vida adulta, estavam a preparar o seu primeiro álbum “Chão Nosso”. O Luís, e o João Gil e Manuel Faria, ainda não eram ídolos, mas foram-no. Mais do que qualquer músico em Portugal na década de 1980 e em metade da década de 1990. Foram eles a fazer a transição dos grandes músicos de intervenção para um novo mundo – eles próprios fizeram-na entre o segundo e o terceiro álbum. Não interessa.
Luís Represas era a estrela. A sua voz, presença, magnetismo e inteligência mudaram a face da música popular. E não temos de o chorar. Ele viveu uma vida cheia. Cumpriu-se, ficou na história e vamos cantá-lo até ao fim dos tempos. E Deus – ou alguém por Ele ofereceu-lhe a possibilidade de se despedir do público com quatro concertos que foram absolutamente mágicos. Já estava muito doente, mas eu não sabia. Mas já estava. E na sua cabeça era mesmo a despedida, a sua ultima vez. Impressionante a maneira como o fez. Sem alardes, sem chorinhos, sem nada que não tivesse feito se lhe estivessem destinados cem anos de vida.
Agora percebo o título dos últimos espetáculos: " Viver tudo numa noite ".
Os mais novos talvez não imaginem do que estou a falar, certamente que lhes é difícil entender que existia mundo antes deles, que existia música antes da música que ouvem, que os seus pais ou avós tenham sido jovens como eles. É-lhes difícil, quase impossível, saberem o que Trovante representou na cultura portuguesa, na construção da democracia, na capacidade de a música ser a prova de que qualquer coisa estava a acontecer de novo em Portugal.
Lá estive para os ouvir, para ouvir o Luís Represas. Ameaçaram viver tudo numa noite e cumpriram. Ou em quatro. Mas eu, querido Luís Represas, enquanto por aqui estiver, continuarei desperto com algumas daquelas canções que nunca deixaram de tocar em mim, que me ajudaram a ser o que sou, que me fizeram chorar, desejar, amar, dançar, pensar, ser futuro e respeitar o passado.
Trovante é a banda da minha vida. É memória de manhãs, tardes, noites e madrugadas. Sei as músicas de cor, apaixonei-me por quem as cantou comigo, adormeci todos os meus filhos com aquelas canções, lamentei as mortes e as perdas a ouvir a guitarra do João, a voz do Luís e o piano do Manuel. O meu pai já o deve ter reencontrado. E eu canto Molinera.
Eu partilho de todas as ideias acima descritas, tudo!
Assisti também ao espetáculo " Viver tudo numa noite " e também agora percebo...
SINOPSE:Vedina, uma mulher traumatizada por um casamento destroçado, decide, num momento de descontrolo, abandonar o filho, largá-lo.
Assim que o faz, contudo, arrepende-se de pronto, regressando ao local onde deixara o pequeno.
Mas já nada encontra no local, nem a criança nem quaisquer vestígios da sua presença.
A partir de então, a história prossegue, contada em dois tempos, levando o leitor a um mundo de medos e sombras, de vícios desgraçados e comportamentos controladores, remexendo as entranhas de uma família violenta e perdida, enquanto procura responder a uma dúvida essencial e sempre presente: como se chega ao limite?
_____________________________________________
"Véspera" de Carla Madeira, conta a história da família de Custódia e seu marido Antunes e de seus filhos Abel e Caim, e ao longo da história vamos tomando conhecimento dos pais, avós, tios, noras, etc.
A história começa com o desespero de Vedina, mulher de Abel, uma mulher marcada por um casamento fracassado, que num momento de descontrole total, abandona o seu filho, Augusto, um menino de apenas 5 anos, em uma rua e, ao se arrepender, retorna para encontrá-lo mas sem qualquer vestígio de sua presença...
A história é contada em capítulos intercalados, um contando o que está sucedendo com o abandono de Augusto por Vedina e outro retrocedendo no tempo, contando as vidas passadas... desencadeando assuntos, atitudes, acontecimentos intensos sobre famílias, traumas e escolhas irreversíveis e traumatizantes...
Essa narrativa mantém o suspense e leva o leitor a unir os pontos entre o passado e o presente, as causas e os efeitos...
Conclui-se que as ações de outrora, do passado, moldam e marcam os destinos atuais e de agora...
Um pouco de história bíblica: Adão e Eva, tiveram 2 filhos gémeos, Caim e Abel. Caim matou Abel. Esta morte terá sido o primeiro homicídio da humanidade.
D. Custódia e Sr. Antunes, tiveram 2 gémeos a quem o pai colocou o nome de Abel e Caim, para castigar sua mulher... os gémeos, sempre conviveram com a angústia materna de que a histórica bíblica se repetisse, em forma de tragédia profetizada.
Estes e outros tantos acontecimentos do passado, são rastilhos que demonstram como o ambiente familiar pode ser tanto um refúgio quanto uma prisão...
Quanto ao desfecho do abandono do pequeno Augusto... para mim foi chocante... mas também brilhante...
Alba de Céspedes,nasceu em Roma, em 11 de Março de 1911.
Era filha de Carlos Manuel de Céspedes y Quesada, Embaixador Cubano em Itália e que tinha sido Presidente Cubano por alguns meses em 1933.
Cresceu portanto, numa família rica e politicamente comprometida com um sentido progressista e antifascista.
Sinopse:
Roma, década de 1950: Valeria Cossatiuma mulher de 43 anos, casada, com dois filhos adultos, exausta pela dupla jornada de dona de casa e secretária de um escritório, vai comprar cigarros para o marido, ignorando que sairá da tabacaria com um caderno que há-de mudar a sua vida.
Ao transformar esse caderno num diário secreto onde regista pensamentos e desejos do dia-a-dia, Valeria Cossati transforma-o num instrumento de emancipação: liberta-se das convenções sociais, do sentido de dever para com o marido e os filhos, dos limites autoimpostos que regem o seu pequeno mundo.
A partir daqui, tudo é questionado.
Valeria Cossati compreende que está em translação e decide conquistar o lugar que escolheu para si... ________________________
"O caderno proibido", foi uma verdadeira revelação, um livro quase com a minha idade, mas que é duma atualidade incrível e no qual me revi, e certamente muitas mulheres que tiverem oportunidade de o ler, sentirão o mesmo.
É quase arrepiante tomar conhecimento que tantas décadas passadas, o enredo é atual, poder se ia afirmar que foi escrito ontem ou até mesmo hoje...
São abordadas questões do quotidiano, em Roma dos anos 50 do século 20 que, ainda hoje, em Lisboa dos anos 20 do século 21, são tão atuais, assustador!
"O caderno proibido", aborda temas e inquietações intemporais: o envelhecimento, a sexualidade, os preconceitos sociais, a família, os conflitos geracionais, a ânsia de liberdade e de felicidade...
"O caderno proibido", relata a revolução de sentimentos e pensamentos na vida de Valeria Cossati,uma mulher italiana de 43 anos, casada há 22, mãe de uma rapariga e de um rapaz, empregada num escritório e que um dia começa a escrever num caderno de capa preta reflexões sobre si e a sua vida.
Essa escrita no caderno, transforma-se num diário muito pessoal que, a pouco e pouco, vai obrigá-la a questionar tudo: a família, o casamento e, sobretudo, ela própria.
Escrever um diário permitiu a Valeria Cossati,refletir sobre o que pensa e sente e entender que ainda havia espaço para ser uma mulher interessante, ser atraente, ser amada.
Valeria Cossati, é uma mulher tradicional, preconceituosa, educada para se apagar nos cuidados com o marido e os filhos, viver em função dos outros, gerir um orçamento limitado que a leva a comprar para si, só o indispensável, com uma vida social muito limitada.
Valeria Cossati, tem ânsias de verter para o papel as suas inquietações, aquilo que nunca confessou a ninguém, nem a si mesma... que se sente escrava da família e da casa; que não sabe o que é o descanso; que nunca teve tempo para ler um livro; que encara a família como um lugar de opressão; que o casamento e o nascimento dos filhos foram os únicos pontos altos da sua vida e que tudo o resto foi insignificante; que embora ache que na sua idade já é tudo tarde de mais, descubra que ainda é possível amar fora do casamento; que para sobreviver precisa de mentir...
David Mourão-Ferreira foi poeta, romancista, novelista, dramaturgo, ensaísta, cronista, tradutor, crítico literário, professor e, até talvez, muito outras coisas mais...
David Mourão-Ferreira foi movido pelo Amor... são dele os mais belos poemas de amor da Literatura Portuguesa.
David Mourão-Ferreira inventou a palavra "escreviver" que simbolizava o quanto ele "Precisava de Viver para Escrever e de Escrever para Viver"...
David Mourão-Ferreira nasceu a 24 de Fevereiro de 1927, em Lisboa, onde veio a falecer a 16 de Junho de 1996.
"Um Amor Feliz" é o único romance escrito por David Mourão-Ferreira efoi publicado em 1986. Recebeu o Grande Prémio de Romance da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio D. Dinis e o Prémio de Ficção do Município de Lisboa.
"Um Amor Feliz" é uma obra que explora o tema do Amor, refletindo sobre a relação entre Fernão e Y, bem como a "relação/conversa" do autor com quem está a ler o romance...
"Um Amor Feliz"é uma busca por um "Amor Feliz" e a evolução da relação amorosa ao longo do tempo...
A sua última frase: ..."é um livro para ser lido com a intervenção activa daquele que o lê".
Onde eu morei e tu moras Vi-te passar fora de horas Com a tua nova paixão De mim não esperes queixumes Quer seja desta ou daquela Pois sinto só pena dela E até lhe dou meu perdão
Na rua dos meus ciúmes Deixei o meu coração. Inda que me custe a vida Pensarei com ar sereno Que esse teu ombro moreno Beijos de amor vão queimar
Saudades são fé perdida São folhas mortas ao vento Que eu piso sem um lamento Na tua rua ao passar Inda que me custe a vida Não hás de ver-me chorar.