A vida do casal Feliz numa aldeia de Trás-os-Montes, em Portugal.
Atenção: Esta reportagem existe na Internet... Chamo-a aqui ao meu blogue, apenas na sequência do meu anterior post, cujo titulo é"Nem Todas as Árvores Morrem de Pé", título do primeiro romance de Luísa Sobral que aconselho vivamente a sua leitura.
Deixaram os nomes de batismo na antiga RDA - República Democrática Alemã, donde vieram há mais de 30 anos.
Eram conhecidos como Maria Feliz e José Feliz.
Num recanto de uma aldeia do Concelho de Vila Real, viviam como eremitas: isolados, num lugar ermo, afastados da sociedade por Amor a Natureza e buscando a solidão, praticando a meditação, autoconhecimento e um estilo de vida simples, contemplativo e espiritual, sempre procurando o "eu interior", e tendo como opção a pobreza, indicando:
“Não é oposição nem boicote. É uma forma de pensamento elevado.”
O segredo da Felicidade, diziam os dois, vinha do Lema Beneditino“reza e trabalha”, da vida silenciosa, do altruísmo, do anti materialismo, do amor desinteressado e do contacto com a Natureza:
_“Enquanto vives no silêncio tens mais respostas interiores e exteriores. Tem-se tempo para observar e receber mais sabedoria.Só insistindo com paciência e serenidade, trabalho e resiliência, se encontra a solidez”.
Garantiam que tinham uma Vida muito dura mas Feliz e abominavam a dependência social, cultural e monetária e uma sociedade massificada, consumista e supérflua.
Viviam numa antiga "Casa de Moleiro", que eles próprios restauraram, com chão de pedra e teto de madeira, sem eletricidade e sem máquinas, rádio, televisão, frigorífico e Internet...
Eles próprios canalizaram a água de uma fonte próxima. E cultivavam tudo o que comiam.
José Feliz, a par das suas escritas em que anotava a sua Filosofia de Vida, fazia todos os trabalhos de Serralharia e Carpintaria, cortava lenha e fabricava velas artesanais.
Alto, de olhos claros, com uma postura distante, mas a quem, por vezes, se conseguia arrancar um sorriso que se desdobrava em gargalhadas sonoras e infindáveis.
Maria Feliz, de estatura baixa, com cabelos cor de prata, era mais calorosa e deixava transparecer o que lhe ia na alma.
Às sextas-feiras partilhava os seus saberes no mercado de Vila Real.
Vendia muitos produtos feitos com plantas.
Maria Feliz sabia muito sobre plantas e medicina...
Na berma da estrada, a cerca de 12 quilómetros de Vila Real, há uma placa onde se lê:
“Missão Pobreza Voluntária”
“Se vens por bem, podes entrar”
O lugar não é acessível a todos, mais adiante, no fim de um caminho de terra e pedras, envolvido por giestas, urzes e estevas, está uma cancela de ferro.
José Feliz,um homem de barbas e cabelo branco, óculos, chapéu e mais de 60 anos, transmitia a quem ouvia:
_ “Tudo o que nos envolve foi criado por Deus, como a terra, o ar, o fogo, os animais, as plantas e as árvores, que é tudo o que precisamos para vivermos e sermos felizes.”
Maria Feliz, completava:
_ “Não tenho nenhuma ligação a nenhuma religião, mas tenho uma crença. Na minha alma existe uma coisa que eu quero entender. Por isso, retirei-me desta sociedade para perceber o que é...
A antiga "Casa de Moleiro" foi por eles restaurada e é aí que habitavam, na companhia de um Burro, umas poucas Ovelhas, Galinhas, dois Cães e três Gatos.
Em volta estendem-se os campos onde começavam o dia a lavrar a terra, a plantar o que comiam e a cultivar plantas medicinais que mais tarde, Maria Feliz,utilizava para fazer chás, cremes,pomadas,remédios... que vendiam às Sextas-feiras na Feira e no Mercado de Vila Real.
Maria Feliz, aprendeu com uma ama, que lhe incutiu o gosto pela medicina popular, inspirada nos ensinamentos de Santa Hildegarda, Abadessa Beneditina Alemã do princípio da Idade Média.
Em Portugal, tiveram primeiro uma fase mais contemplativa, ligada à leitura e ao estudo e a conhecer outros locais do país, antes de virem para Vila Real.
Viveram ainda em Vilar de Mouros, no Minho, onde Maria Feliz aprofundou o seu interesse pelos remédios tradicionais.
Em 1993 tornou-se uma frequentadora do Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, onde deu palestras e expôs o seu trabalho.
José Feliz, juntamente com vizinhos e amigos, recuperou um moinho existente ali perto de um Ribeiro, nas margem do Rio Sordo.
José Feliz semeava, colhia e moía o Centeio, no Moinho do ribeiro, com que faziam o pão.
Os cuidados de higiene começavam de manhã, com um banho de água fria na rua.
À noite, de vez em quando, tomavam banho de água quente numa banheira de madeira com os óleos essenciais que Maria Feliz produzia, tal como fazia sabão, cremes para o rosto, pomadas, xaropes, tinturas e chás, ou a própria roupa.
Viviam completamente alheados da sociedade, mas ajudavam e acolhiam quem os procurava em busca de mais saúde física e espiritual.
Por vezes, entre Maio e Agosto, quando havia mais trabalho no campo e se colhiam as plantas medicinais, acolhiam alguns jovens voluntários.
No passado Sábado, dia 22 de Maio de 2021, morreu Maria Feliz, uma mulher eremita, de nacionalidade Alemã, que vivia há cerca de 30 anos em Portugal.
Sofria de uma doença oncológica e estaria em fase terminal...
O marido, José Feliz,estaria por perto, tinha vários ferimentos e uma faca ao lado...
Em causa, poderá estar um pacto de morte entre o casal, devido à doença de que padecia Maria Feliz...
Vivemos hoje, numa Sociedade consumista, supérflua, egocêntrica...
Tudo que se passa ao nosso redor, não nos diz respeito, não é connosco, não, não...
O objetivo de vida de todos, é ter meios económicos, no intuito de ter poder e esperar que nos traga felicidade...
Temos a felicidade que nos é indicada pela televisão, pelos vizinhos, pelas revistas...
Retribuímos, demonstrando-nos como abastados, como detentores de sabedoria, de cultura, andando na moda, tendo o último modelo de telemóvel...
Em casa, já não nos chega uma só televisão e as que possuirmos, terão de ter bastantes canais, para podermos consumir, consumir, consumir...
Nem que para alcançarmos tudo isto, na ânsia de consumo, sejamos obrigados a viver na mentira, no engano, na escravidão, na aparência, dependentes de créditos mal parados que nos tirem o sono...
Quis o tempo me levar Antes do tempo de deixar Antes de estar madura para cair E tudo o que eu fiz Foi nascer Maria Feliz
Foi um pacto delicado Partirmos lado a lado Mas se outro mundo houver Quero entrar de braço dado Pois tudo o que eu quis Foi ser Maria Feliz
Tenho em mim Toda a natureza Sou raiz que não está presa Árvore que parte antes do fim E assim já não tenho medo Parto em paz mesmo que cedo
Se te tenho a ti Vou sem olhar para trás Serei o que sempre quis Eternamente Maria Feliz Até sempre Maria Feliz
"Nem Todas as Árvores Morrem de Pé" é o primeiro romance de Luísa Sobral.
Um romance que recria o passado de um casal Alemão que se suicidou em Portugal.
"Maria Feliz" era muito conhecida em Vila Real, devido á sua paixão pelas plantas...
Luísa Sobral sabia que esta mulher Alemã, que se apelidou de "Maria Feliz", de quem ninguém sabia o verdadeiro nome, vinha da Alemanha de Leste e que teve um grande amor em Itália.
Luísa Sobral decidiu escrever uma canção: "Maria Feliz" e um romance.
Agora, falarei sobre o romance e no próximo post falarei sobre o casal Alemão.
"Nem Todas as Árvores Morrem de Pé", é um livro BONITO! Tudo nele é maravilhoso! O entrelaçado das vidas dos personagens do romance, está tão bem estruturado que nos leva a ler com muita atenção e nos agarra e... mais uma página, e outra, e outra, e outra... Recomendo!
Sinopse
Emmi, que nasceu pouco antes de Hitler ascender ao poder na Alemanha, perde o pai na guerra e tem uma adolescência difícil, trabalhando desde muito cedo para ajudar em casa.
É num bar, onde vai com os amigos depois do trabalho que conhece Markus, um homem de Berlim Leste que lhe escreve cartas maravilhosas e por quem se apaixona perdidamente.
Apesar de a mãe torcer o nariz ao seu casamento, num momento em que a Guerra Fria está ao rubro, a irmã apoia-a, e Emmi acaba por ir viver com Mischa, como lhe chama, para a RDA.
Inicialmente, tudo corre bem, mas depois de o Muro de Berlim ser erguido, a separação da família e a chegada de uma carta anónima, deixam-na na mais profunda depressão.
M. nasce após a divisão das duas Alemanhas e é o fruto perfeito do socialismo: com uma mãe ausente, educada por uma ama que adora plantas, M. idolatra o pai, desconhecendo por completo o mundo Ocidental e crescendo ao sabor de uma realidade distorcida.
Até que um dia, ao ouvir o testemunho chocante de uma rapariga, descobre que, afinal, não é só o Muro que tem um outro lado.
Um homem cai do décimo andar de um hotel, em Lisboa.
A polícia identifica-o, é Kurt Weilmann.
Nos momentos finais de vida, balbucia palavras misteriosas: «UNIO MYSTICA... MISTERIUM TREMENDUM»...
Acidente, suicídio ou homicídio?
A Judiciária encontra no quarto de Weilmann, uma derradeira mensagem com um nome: Tomás Noronha.
O historiador é convocado para esclarecer o seu envolvimento naquela morte.
Durante o inquérito, a CIA avisa Tomás Noronha.: a sua vida corre perigo. Quem atirou Weilmann do décimo andar também o quer matar.
Para se salvar, o historiador terá de desvendar o mistério daquela morte.
Assim começa uma busca que irá conduzir Tomás Noronha aos segredos que envolvem uma classe de substâncias terapêuticas com propriedades miraculosas.
Chamam-lhes enteógenos, expressão grega para... O DIVINO DENTRO DE NÓS...
Baseado em descobertas científicas que estão a ser estudadas pelas maiores instituições de Ciência do Mundo, desde Harvard até ao Centro Champalimaud,"O Sexto Sentido" mostra-nos o que os enteógenos começaram a revelar sobre os maiores Enigmas do universo, incluindo o mistério da morte e o sentido da vida.
Faz impressão o trabalho (wo-oh) Que se tem ser superficial Faz-me impressão e baralho (wo-oh) O vulgar e o intelectual
Sinto depressão conforme (wo-oh) Eu perco tempo e é essencial Sofro uma pressão enorme (wo-oh) Para gostar do que é normal
Deixo tudo para mais logo Não sou analógico, sou criatura digital Tendo para mais louco Não sou patológico como o papel vegetal, papel vegetal
Faz-me impressão ser seguido (wo-oh) Sempre imitado por gente banal Faz-me um favor, estou perdido (wo-oh) Indica-me algo de fundamental
Acho que gosto em mim, o que me motiva Esta presença sensacional E em ti o que me torna afim, o que me cativa Esse sorriso vertical
Acho que gosto em mim, o que me motiva É uma presença original E em ti o que me põe assim, o que me, o que me, o que me Sorriso vertical, sorriso vertical Como uma impressão digital
Sinto-me uma fotocópia, prefiro o original Edição revista e aumentada, cordão umbilical Sempre exclusivo, a morder a página é só papel de jornal
Faz-me impressão o trabalho A inércia faz-me mal Faz-me impressão o trabalho A inércia faz-me mal Faz-me impressão é só trabalho A inércia faz-me mal Faz-me impressão o trabalho A inércia faz-me mal
Já aqui falei, anteriormente, sobre esta escritora, Valérie Perrin, a propósito dos seus outros livros: "A Breve Vida das Flores","Três" e "Os esquecidos de Domingo".
Mas... este,"Querida Tia"... ultrapassou tudo! É Soberbo!
Definitivamente e para mim, o melhor livro da autora! O meu preferido!
Não sei porque ainda não foi premiado...
Este romance tem tanto enredo, tantas voltas e reviravoltas, um enredo apaixonante!
Este é um livro sobre segredos e dramas familiares... um livro sobre o que nos constrói e destrói... sobre o que nos torna gente, humanos... que nos lembra que o Amor Verdadeiro é indestrutível e consegue ultrapassar barreiras...
Um Grande Romance!
Recomendo vivamente!
Sinopse:
Colette era uma mulher sem história, mas não há pessoas sem história…
Agnès recebe um telefonema e julga que se enganaram: a polícia diz-lhe que Colette, a sua querida tia, acaba de morrer.
Mas como é possível, se o funeral aconteceu há três anos?
Será um engano, certamente, mas ela terá de regressar a Borgonha, lugar que há tanto tempo deixou para trás, para perceber o que realmente aconteceu.
Aquela mulher, que Agnès não sabe se é ou não a sua tia, deixou um conjunto de coisas ao seu cuidado: notas com os últimos desejos e um conjunto de cassetes áudio.
A sobrinha de Colette sempre vira a tia como uma mulher sem história, alguém que passara pela vida sem deixar marcas, mas, agora, prepara-se para compreender o que nunca devemos esquecer: na verdade, não há pessoas sem história, e a de Colette tem tanto, tanto para contar.
Podem as palavras, escritas ou ditas, ter o poder de mudar o nosso presente e, mais, dar-nos outro passado?
Juntando o destino e as vidas de várias mulheres, de forma tocante e surpreendente, Valérie Perrin regressa com um romance que reflete o mais humano e profundo de todos nós.
Fico aguardando ansiosamente, o seu próximo romance, esperando que não demore muito! 😃