domingo, 12 de abril de 2026

"O Retorno" de Dulce Maria Cardoso

"O Retorno"

de 

Dulce Maria Cardoso


Gostei bastante de ler!
Aconselho a sua leitura!

Recordo-me bem desses tempos, tempos difíceis para todos. Não só para os que vieram mas também para os que de cá nunca saíram.
Tempo em que todos precisavam de emprego e que, os empregos nas empresas Públicas, Municipais e outras, foram guardados, não para os de cá, mas para os que retornavam... tempos difíceis esses!!

Verdade, é que também nos mudaram... eramos muitos cinzentos, fruto de uma ditadura longa, em que tudo era proibido, principalmente para as mulheres, tudo lhes estava vedado...

A chegada deles junto com a nossa Revolução, foi como um sopro de ar fresco. De repente vimos mulheres a frequentar os cafés, vimos mulheres vestidas com roupa colorida e mostrando partes dos corpos, sem qualquer receio de falatório, coisa que sempre nos tinham incutido e que nos inibia de nos mostrarmos o que fazia de nós pessoas cinzentas... A pouco e pouco, fomos todos nós ficando diferentes, mas na minha opinião, para melhor.

Dulce Maria Cardoso é Portuguesa de Trás-os-Montes. Nasceu em 1964 e viveu depois em Angola dos 6 meses de idade até o princípio da guerra civil, que deflagrou após a independência do país.
Assim, com conhecimento de causa, escreveu este livro "O Retorno" e descreveu resumidamente, como exemplo, sobre os cerca de 600 mil Portugueses que regressaram de África em situações dramáticas e que aterraram em Portugal, em 1975.

A história é contada por Rui, um adolescente de 15 anos, que vivia em Angola com a sua família. A vida que ele conhecia é abruptamente interrompida com a independência do país e o clima de instabilidade política e social. 
De repente, Rui e a sua família são forçados a abandonar tudo: a casa, os amigos, as memórias... e têm de embarcar, sem o pai, para Portugal.
Quando chegam a Lisboa, Rui encontra um país que não conhece, marcado pela "Revolução dos Cravos", em crise e com mudanças Políticas e Sociais. 
A adaptação é dura e a família luta para sobreviver, em um cenário completamente diferente daquele que conheciam.

Sinopse:

1975, Luanda. A descolonização instiga ódios e guerras. Os brancos debandam e em poucos meses chegam a Portugal mais de meio milhão de pessoas. O processo revolucionário está no seu auge e os retornados são recebidos com desconfiança e hostilidade. Muitos nao têm para onde ir nem do que viver. Rui tem quinze anos e é um deles. 1975. Lisboa. Durante mais de um ano, Rui e a família vivem num quarto de um hotel de 5 estrelas a abarrotar de retornados — um improvável purgatório sem salvação garantida que se degrada de dia para dia. A adolescência torna-se uma espera assustada pela idade adulta: aprender o desespero e a raiva, reaprender o amor, inventar a esperança. África sempre presente mas cada vez mais longe...

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Sr. Engenheiro - Alegadamente um Musical

"Sr. Engenheiro - Alegadamente Um Musical" é uma sátira musical inspirada na vida do ex-primeiro-ministro José Sócrates e estreou a 1 de abril de 2026.
Esta sátira, narra, resumidamente, desde o seu inicio nas Beiras até á sua vida faustosa em Paris, explorando as suas relações pessoais com aquele "Amigo" (que todos gostaríamos de ter mas que...) generoso, tão generoso... e com um motorista que sabe demais... e até foca a licenciatura tirada ao Domingo... e as "fotocopias"...
Tudo isto, inspirado em factos do conhecimento público e com uma abordagem humorística e muito engraçada.
Tendo em conta que tudo vai Caducando... ele vai voltar em 2031... candidato à Presidência...
Vão ver porque vão gostar!!

Os Mimos Gabriel e João - Semi-final 03 | Got Talent Portugal 2026


Os Mimos Gabriel e João de 18 e 14 anos apenas... foram FANTÁSTICOS!!
Foram tão bons, tão bons, tão bons, tão bons, tão bons, tão bons... que não tenho palavras para descrever o quanto foram MAGNÍFICOS!!


 

"Memória" - Carminho e Rosalía

 

Ainda te lembras de mim?
Ainda sabes de onde eu vim?
Quem sou esta que aqui estou?
Diz-me no meu olhar triste
Que alguma memória existe
E ainda sabes quem sou

Diz-me se ainda tropeço
Se me alegro se agradeço
Ou se ainda sei cantar
Recorda-me por favor
Alguma coisa o que for 
que eu não consigo lembrar

Vem comigo p'la cidade
Diz-me com sinceridade
Se tu te lembras de mim
Onde cresci e amei
Com quem vivi e me dei
Ou se a algo eu pus fim

Será que tu me conheces
Que o tempo passa e não esqueces
Quem eu fui e sou em fim
Oh meu doce coração
Diz-me se sabes ou não
Ainda te lembras de mim?


Siempre que me acuerdo de algo
Siempre lo recuerdo un poco diferente
Y sea como sea ese recuerdo
Siempre es verdad en mi mente
Y si mi alma se derrama
Y la falta de pasado es el olvido
Cuando muera solo pido
No olvidar lo que he vivido

Será que tu me conheces
Que o tempo passa e não esqueces
Quem eu fui e sou em fim
Oh meu doce Coração
Diz-me se sabes ou não
Ainda te lembras de mim?

domingo, 15 de março de 2026

"Pés de Barro" - Nuno Duarte

  
   
"Pés de Barro" é o romance de estreia de Nuno Duarte.
"Pés de Barro" é um retrato muito real dos anos 60 em Portugal, um país “Orgulhosamente Só”, frase proferida por Salazar, Primeiro Ministro há época...
"Pés de Barro" retrata bem a Sociedade Portuguesa durante a Ditadura Salazarista, e espelha a vida da Lisboa Operária dos anos 60, bem como o que representou a Guerra do Ultramar, a PIDE, a Pobreza e a falta de instrução escolar.
"Pés de Barro" é um livro que tem como base do seu enredo, a construção da Ponte sobre o Tejo, em Lisboa, a que então se chamou Ponte Salazar e que hoje conhecemos como Ponte 25 de Abril.
"Pés de Barro" é um livro com um estilo de escrita algo original, com a construção dos diálogos feita no discurso indireto e com uma escrita simples mas intensa e tão verdadeira que me tocou profundamente... ao ler, visualizava perfeitamente tudo... claro que sou dessa época, conheci bem toda a miséria da Capital e do país...

Recomendo a sua leitura!

Sinopse:

Estamos em 1962, num país "Orgulhosamente Só" e vem aí a construção da primeira ponte suspensa sobre o Tejo, para a qual vão ser precisos cerca de três mil homens. 
A obra irá mudar para sempre a paisagem da Capital, muito especialmente para quem vive em Alcântara, Bairro Típico de Lisboa, como é agora o caso de Victor Tirapicos, instalado na casa dos tios depois de ter envergonhado o pai com dois anos de cadeia só por ter roubado pão e batatas para fintar a miséria.

É, de resto, pelos olhos deste Serralheiro de 22 anos que veremos a ponte erguer-se um pouco mais todos os dias e, ali mesmo ao lado, partirem os navios cheios de rapazes para a Guerra do Ultramar, donde muitos acabarão por voltar estropiados, endoidecidos ou mortos.

Porém, apesar de a modernidade parecer estar a matar a vida e os costumes do Pátio Operário onde convivem (amigavelmente ou nem tanto) uma série de figuras inesquecíveis - entre elas o Mestre Sapateiro que faz as chuteiras para o Atlético Clube de Portugal e um velho culto que aprende a desler... Victor Tirapicos encontra o Amor de uma rapariga que é Muda mas consegue escutar o Planeta, pressentindo a derrocada da estação do "Cais do Sodré" e outra catástrofe ainda maior, que se calhar tem Pés de Barro e só acontece neste romance, mas bem podia ter acontecido...

segunda-feira, 9 de março de 2026

Beatriz da Conceição - "Sou um fado desta idade"


Fados são belas cantigas, 
alegres, amigas
Deixem de os cantar tristonhos, 
dolentes, medonhos

Façam os fados ativos 
se os querem ver vivos
Pode o fado ser eterno, 
Ritmado, alegre, 
bailado, moderno

Sou um fado desta idade
Saltadinho com viveza
Sabe bem não ter saudade, saudade, saudade
Saudade faz tristeza

Cá por dentro o sangue ferve
Á moleza vou dar fim
Sofre tanto que não serve, não serve, não serve
Não serve p'ra mim

Vamos, cantem este fado
Mexido, marcado
Fado assim é divertido
Pulado, batido

Tem em si um ar de festa, 
bem nossa, modesta
Mas que mesmo portuguesa
Perdeu a tristeza, ganhou em beleza

Sou um fado desta idade
Saltadinho com viveza
Sabe bem não ter saudade, saudade, saudade
Saudade faz tristeza

Cá por dentro o sangue ferve
Á moleza vou dar fim
Sofre tanto que não serve, não serve, não serve
Não serve p'ra mim

Sou um fado desta idade
Saltadinho com viveza
Sabe bem não ter saudade, saudade, saudade
Saudade faz tristeza

Cá por dentro o sangue ferve
Á moleza vou dar fim
Sofre tanto que não serve, não serve, não serve
Não serve p'ra mim

Ricardo Ribeiro - "Muda a Agua as azeitonas..." - Fadinho Alentejano


Linda cara que tu tens (já sei)
Quando chegas noite fora
À espera à porta de casa
À espera à porta de casa
Está o teu pai que te adora

Lindos olhos tem o mocho (piu)
Quando a noite vem chegando
Para deixar passar a noite
P'ra deixar passar a noite
Uma moda eu vou cantando

Muda a água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Muda a água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Abalaste p'ra Lisboa (pois)
Deixaste-me ao pé da porta
Tu seguiste o teu caminho
Tu seguiste o teu caminho
A minha alma ficou torta

Quando cheguei ao Barreiro (já fui)
Lisboa estava fechada
Voltei p'ra casa a cantar
Voltei p'ra casa a cantar
Uma vida abençoada

Muda água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Muda água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Muda água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso


Muda água às azeitonas
Rega bem os teus tomates
Tem lá cuidado com a horta
O cravo já está no vaso
Sim senhora, por acaso