A vida do casal Feliz numa aldeia de Trás-os-Montes, em Portugal.
Atenção: Esta reportagem existe na Internet... Chamo-a aqui ao meu blogue, apenas na sequência do meu anterior post, cujo titulo é "Nem Todas as Árvores Morrem de Pé", título do primeiro romance de Luísa Sobral que aconselho vivamente a sua leitura.
Até chegar à percorre-se um caminho acidentado. Na berma da estrada, a 12 quilómetros de Vila Real, há uma placa onde se lê: “Missão Pobreza Voluntária”. O lugar não é acessível a todos. “Se vens por bem, podes entrar”, informa uma chapa presa a um pinheiro. Mais adiante, no fim de um caminho de terra e pedras envolvido por giestas, urzes e estevas, está uma cancela de ferro com mais uma mensagem inscrita no metal: “Sem fé nada seríamos”.Esta fé é uma “ética”, “sem intermediários, sem sacerdotes”, mas “bastante próxima de Deus devido à natureza” envolvente, explica Feliz – um homem de barbas e cabelo branco, óculos, chapéu e mais de 60 anos. “Tudo o que nos envolve foi criado por Deus, como a terra, o ar, o fogo, os animais, as plantas e as árvores, que é tudo o que precisamos para vivermos e sermos felizes.” Maria Feliz completa: “Não tenho nenhuma ligação a nenhuma religião, mas tenho uma crença. Na minha alma existe uma coisa que eu quero entender. Por isso retirei-me desta sociedade para perceber o que é.”A antiga casa do moleiro foi por eles restaurada e é aí que habitam, na companhia de um burro, umas poucas ovelhas, galinhas, dois cães e três gatos. Em volta estendem-se os campos onde começam o dia a lavrar a terra, a plantar o que comem. Maria também cultiva plantas medicinais que utiliza para fazer chás, cremes e remédios, que depois vende em feiras.Aprendeu com a mãe e uma ama, que lhe incutiram o gosto pela medicina popular, inspirada nos ensinamentos de Santa Hildegarda, abadessa beneditina alemã do princípio da Idade Média – “a primeira mulher a pregar em público”. Em 1979 trocou a vida profissional, sobre a qual nada diz, por estes segredos antigos que diz serem a sua vocação.“A mim nunca me faltou nada. Tinha uma vida normal, estudos e profissão, mas faltava uma coisa que não tinha explicação. Achei sempre que aquilo não era vida”. Tal como Maria, Feliz não gosta de falar do passado, mas admite que desde criança teve sempre a sensação de “não estar no seu próprio lugar”. Por volta dos 30 anos resolveram procurar outra forma de vida, a “própria vida”. Em Portugal, na Serra da Estrela, encontraram o que procuravam. Foi aí que se habituaram “a sobreviver com muito pouco” e que aprenderam muito com “analfabetos que eram sábios”. Passados sete anos fixaram-se mais para sul, junto ao mar, no Cabo Espichel. “Foi uma fase mais contemplativa”, ligada à leitura e ao estudo."Mas antes de Vila Real ainda viveram em Vilar de Mouros, no Minho, onde Maria aprofundou o seu interesse pelos remédios tradicionais. Em 1993 tornou-se uma frequentadora do Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, onde dá palestras e expõe o seu trabalho.Agora, na solidão transmontana, na margem direita do rio Sordo, não têm electricidade, nem máquinas. Eles próprios canalizaram a água de uma fonte próxima. Na modesta casa que reconstruiram, com chão de pedra e tecto de madeira, não há rádio, nem televisão, nem frigorífico, nem Internet. Os telemóveis são deixados lá fora, numa caixa protegida com chumbo para evitar radiações.Antes das refeições, colhem o que vão cozinhar. Vivem em harmonia com a natureza e vivem do que ela lhes dá – milho, feijão, feijocas, hortaliças, centeio e muito mais. O centeio com que fazem o pão é moído por Feliz num moinho do ribeiro, recuperado com vizinhos e amigos. Não excluem do seu regime alimentar o peixe e a carne, embora só os consumam esporadicamente.Os cuidados de higiene começam de manhã, com um banho de água fria na rua. À noite, de vez em quando, tomam banho de água quente numa banheira de madeira com os óleos essenciais que Maria produz, tal como faz sabão, cremes para o rosto, pomadas, xaropes, tinturas e chás, ou a própria roupa. A sanita, ao ar livre, não tem autoclismo. Não usam papel higiénico mas água. O único candeeiro que têm é alimentado a energia solar.O quotidiano é ritmado pelos afazeres do dia-a-dia, “sempre os mesmos e sempre diferentes”. A oração, a reflexão, o trabalho, a agricultura sem químicos são a receita para uma vida feliz e saudável. Não têm feriados e não conhecem a palavra férias.
Uma mulher foi encontrada morta este sábado em Vila Real ao lado do marido que apresentava ferimentos graves.
Ao que apurou o Correio da Manhã, a vítima, Maria Feliz, foi diagnosticada com uma doença oncológica e quando foi encontrada estava numa cadeira com ferimentos nos pulsos.
O marido estaria por perto, tinha vários ferimentos e uma faca ao lado tendo recusado receber tratamento. Foi obrigado a ser hospitalizado e está em estado grave.
Em causa poderá estar um pacto de morte entre o casal devido à doença de que padecia a mulher no sentido de pôr fim ao sofrimento de ambos.
O caso já estaria sinalizado devido ao local onde vivia o casal, um casebre sem condições de habitabilidade. A GNR esteve no local semanas antes e terá encontrado a mulher com uma saúde bastante débil e ainda com uma ferida aberta.
As autoridades tentam apurar se se trataram de dois suicídios (um consumado, outro não) ou se um homicídio seguido de tentativa de suicídio.
Morreu Maria Feliz, a ermita que vivia há mais de 20 anos em Vila Real. Minha Amiga!
Morreu Maria Feliz, uma mulher ermita, de nacionalidade alemã, que vivia há cerca de 30 anos em Portugal. Estava há mais de 20 anos radicada na freguesia de Torgueda. Sofria de uma doença oncológica e estaria em fase terminal. Sempre recusou tratamento. O marido, conhecido apenas como Feliz, foi colaborador do Notícias de Vila Real.
Os Bombeiros da Cruz Branca de Vila Real foram accionados, na tarde deste sábado, para Torgueda, devido a uma emergência relacionada com uma paragem cardiorrespiratória. Segundo o comandante, no local encontraram “uma mulher já cadáver”, “com o marido, ao lado, com os sinais vitais muito fracos”, devido a “cortes nos pulsos”. Feliz foi transportado para o hospital de Vila Real. Recusou tratamento, mas terá sido forçado a ser internado.
O casal ermita vivia na margem do rio Sordo, em Torgueda, numa casa de moleiro que restauraram. Era conhecido por viver apenas do que cultivavam. A alimentação era baseada numa agricultura sem recurso a químicos. Maria Feliz possuía bastante conhecimento sobre plantas medicinais, que cultivava no terreno próximo da habitação onde moravam. Fazia chás, cremes e remédios, que depois vendia em feiras.
Vida do casal de ermitas documentado em filme
O vida do casal serviu de tema para um filme documental, realizado por José Paulo Santos, editado em 2013. O documentário “… além da sala de espera”, que retracta a vida de dois eremitas alemães a viverem na região, integra o Plano Nacional de Cinema.
O filme dá a conhecer o dia a dia de um casal alemão que abdicou de uma vida materialista, na cidade. Maria Feliz e Feliz, foram estes os nomes portugueses que adoptaram, viviam numa aldeia do concelho de Vila Real, em Torgueda.
Sempre revestido de um forte carácter filosófico, o documentário mostra a vida de duas pessoas que se dedicam a viver com aquilo que a natureza proporciona. Feliz e Maria Feliz recorrem a todos os mecanismos de trabalhos artesanais não só para fazer a sua comida, mas também para todas as lidas da casa.
Maria Feliz, uma mulher ermita, de nacionalidade alemã, que vivia há cerca de 30 anos em Portugal, foi encontrada sem vida na sua casa, em Moçães, freguesia de Torgueda, no passado sábado (22 de Maio de 2021). No local, estava também o marido, conhecido apenas como Feliz, com sinais vitais fracos. O Casal estava há mais de 20 anos radicado no concelho de Vila Real.
O casal de sexagenários trocou, em 1979, a vida profissional pela vocação ligada à alquimia. Estava em Portugal desde 1986. Maria Feliz apoiou, de 1993 até 2014, o Congresso da Medicina Popular em Vilar de Perdizes, com palestras e exposições sobre o seu trabalho com as plantas medicinais e os produtos da Associação pró Hildegard von Bingen, ligado à Medicina Popular, que entretanto fundou.
Desde 2002 que é convidada por escolas, na qualidade de palestras e para acções de várias formações entre outros sobre: “Sabedoria Popular”, “Inter-Áreas Terapêuticas”, “Plantas Medicinais”, “Alimentação Natural”, projectos de promoção e educação para a saúde. Era presença frequente no Mercado Municipal de Vila Real, com produtos da Associação pró Hildegard von Bingen.
A vida do casal serviu de tema para um filme documental, realizado por José Paulo Santos, editado em 2013. O documentário “… além da sala de espera”, que retracta a vida de dois eremitas alemães a viverem na região, integra o Plano Nacional de Cinema.
O filme dá a conhecer o dia a dia de um casal alemão que abdicou de uma vida materialista, na cidade. Maria Feliz e Feliz, foram estes os nomes portugueses que adoptaram, viviam numa aldeia do concelho de Vila Real, em Torgueda.
Sempre revestido de um forte carácter filosófico, o documentário mostra a vida de duas pessoas que se dedicam a viver com aquilo que a natureza proporciona. Feliz e Maria Feliz recorriam a todos os mecanismos de trabalhos artesanais não só para fazer a sua comida, mas também para todas as lidas da casa.




