sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Os finados Alemães Maria Feliz (Meine) e José Feliz (Matteo), eremitas em Trás os Montes, Portugal

 A vida do casal Feliz numa aldeia de Trás-os-Montes, em Portugal.

Atenção: Esta reportagem existe na Internet... Chamo-a aqui ao meu blogue, apenas na sequência do meu anterior post, cujo titulo é "Nem Todas as Árvores Morrem de Pé", título do primeiro romance de Luísa Sobral que aconselho vivamente a sua leitura.

    
 

Deixaram os nomes de batismo na antiga RDA - República Democrática Alemã, donde vieram há mais de 30 anos. 
Eram conhecidos como Maria Feliz e José Feliz... 
Num recanto de uma aldeia do Concelho de Vila Real, viviam como eremitas: isolados, num lugar ermo, afastados da sociedade por Amor a Natureza e buscando a solidão, praticando a meditação, autoconhecimento e um estilo de vida simples, contemplativo e espiritual, sempre procurando o "eu interior", e tendo como opção a pobreza, indicando: 

“Não é oposição nem boicote. É uma forma de pensamento elevado.”

O segredo da Felicidade, diziam os dois, vinha do lema Beneditino “reza e trabalha”, da vida silenciosa, do altruísmo, do anti materialismo, do amor desinteressado e do contacto com a Natureza: 
_ “Enquanto vives no silêncio tens mais respostas interiores e exteriores. Tem-se tempo para observar e receber mais sabedoria. Só insistindo com paciência e serenidade, trabalho e resiliência, se encontra a solidez”.

Garantiam que tinham uma Vida muito dura mas Feliz e abominavam a dependência social, cultural e monetária e uma sociedade massificada, consumista e supérflua
Viviam numa antiga "Casa de Moleiro", que eles próprios restauraram, com chão de pedra e teto de madeira, sem eletricidade e sem máquinas, rádio, televisão, frigorífico e Internet.
Eles próprios canalizaram a água de uma fonte próxima. E cultivavam tudo o que comiam.

José Feliz, a par das suas escritas em que anotava a sua Filosofia de Vida, fazia todos os trabalhos de Serralharia e Carpintaria, cortava lenha e fabricava velas artesanais.
Alto, de olhos claros, com uma postura distante, mas que por vezes, se conseguia arrancar um sorriso que se desdobra em gargalhadas sonoras e infindáveis. 

Maria Feliz, de estatura baixa, com cabelos cor de prata, era mais calorosa e deixava transparecer o que lhe ia  na alma. 
Às sextas-feiras partilhava os seus saberes no mercado de Vila Real. 
Vendiam muitos produtos feitos com plantas. Maria Feliz sabia muito sobre plantas.














Quando saem, muito raramente, não ficam fora mais de dois dias. Vivem completamente alheados da sociedade, mas ajudam e acolhem quem os procura em busca de mais saúde física e espiritual. Por vezes, entre Maio e Agosto, quando há mais trabalho no campo e se colhem as plantas medicinais, acolhem alguns jovens voluntários. “É uma boa oportunidade para conhecerem uma vida diferente, perto da natureza”, diz Maria.




















Até chegar à  percorre-se um caminho acidentado. Na berma da estrada, a 12 quilómetros de Vila Real, há uma placa onde se lê: “Missão Pobreza Voluntária”. O lugar não é acessível a todos. “Se vens por bem, podes entrar”, informa uma chapa presa a um pinheiro. Mais adiante, no fim de um caminho de terra e pedras envolvido por giestas, urzes e estevas, está uma cancela de ferro com mais uma mensagem inscrita no metal: “Sem fé nada seríamos”.Esta fé é uma “ética”, “sem intermediários, sem sacerdotes”, mas “bastante próxima de Deus devido à natureza” envolvente, explica Feliz – um homem de barbas e cabelo branco, óculos, chapéu e mais de 60 anos. “Tudo o que nos envolve foi criado por Deus, como a terra, o ar, o fogo, os animais, as plantas e as árvores, que é tudo o que precisamos para vivermos e sermos felizes.” Maria Feliz completa: “Não tenho nenhuma ligação a nenhuma religião, mas tenho uma crença. Na minha alma existe uma coisa que eu quero entender. Por isso retirei-me desta sociedade para perceber o que é.”A antiga casa do moleiro foi por eles restaurada e é aí que habitam, na companhia de um burro, umas poucas ovelhas, galinhas, dois cães e três gatos. Em volta estendem-se os campos onde começam o dia a lavrar a terra, a plantar o que comem. Maria também cultiva plantas medicinais que utiliza para fazer chás, cremes e remédios, que depois vende em feiras.Aprendeu com a mãe e uma ama, que lhe incutiram o gosto pela medicina popular, inspirada nos ensinamentos de Santa Hildegarda, abadessa beneditina alemã do princípio da Idade Média – “a primeira mulher a pregar em público”. Em 1979 trocou a vida profissional, sobre a qual nada diz, por estes segredos antigos que diz serem a sua vocação.“A mim nunca me faltou nada. Tinha uma vida normal, estudos e profissão, mas faltava uma coisa que não tinha explicação. Achei sempre que aquilo não era vida”. Tal como Maria, Feliz não gosta de falar do passado, mas admite que desde criança teve sempre a sensação de “não estar no seu próprio lugar”. Por volta dos 30 anos resolveram procurar outra forma de vida, a “própria vida”. Em Portugal, na Serra da Estrela, encontraram o que procuravam. Foi aí que se habituaram “a sobreviver com muito pouco” e que aprenderam muito com “analfabetos que eram sábios”. Passados sete anos fixaram-se mais para sul, junto ao mar, no Cabo Espichel. “Foi uma fase mais contemplativa”, ligada à leitura e ao estudo."Mas antes de Vila Real ainda viveram em Vilar de Mouros, no Minho, onde Maria aprofundou o seu interesse pelos remédios tradicionais. Em 1993 tornou-se uma frequentadora do Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, onde dá palestras e expõe o seu trabalho.Agora, na solidão transmontana, na margem direita do rio Sordo, não têm electricidade, nem máquinas. Eles próprios canalizaram a água de uma fonte próxima. Na modesta casa que reconstruiram, com chão de pedra e tecto de madeira, não há rádio, nem televisão, nem frigorífico, nem Internet. Os telemóveis são deixados lá fora, numa caixa protegida com chumbo para evitar radiações.Antes das refeições, colhem o que vão cozinhar. Vivem em harmonia com a natureza e vivem do que ela lhes dá – milho, feijão, feijocas, hortaliças, centeio e muito mais. O centeio com que fazem o pão é moído por Feliz num moinho do ribeiro, recuperado com vizinhos e amigos. Não excluem do seu regime alimentar o peixe e a carne, embora só os consumam esporadicamente.Os cuidados de higiene começam de manhã, com um banho de água fria na rua. À noite, de vez em quando, tomam banho de água quente numa banheira de madeira com os óleos essenciais que Maria produz, tal como faz sabão, cremes para o rosto, pomadas, xaropes, tinturas e chás, ou a própria roupa. A sanita, ao ar livre, não tem autoclismo. Não usam papel higiénico mas água. O único candeeiro que têm é alimentado a energia solar.O quotidiano é ritmado pelos afazeres do dia-a-dia, “sempre os mesmos e sempre diferentes”. A oração, a reflexão, o trabalho, a agricultura sem químicos são a receita para uma vida feliz e saudável. Não têm feriados e não conhecem a palavra férias.


Uma mulher foi encontrada morta este sábado em Vila Real ao lado do marido que apresentava ferimentos graves. 

Ao que apurou o Correio da Manhã, a vítima, Maria Feliz, foi diagnosticada com uma doença oncológica e quando foi encontrada estava numa cadeira com ferimentos nos pulsos. 




O marido estaria por perto, tinha vários ferimentos e uma faca ao lado tendo recusado receber tratamento. Foi obrigado a ser hospitalizado e está em estado grave. 

Em causa poderá estar um pacto de morte entre o casal devido à doença de que padecia a mulher no sentido de pôr fim ao sofrimento de ambos.

O caso já estaria sinalizado devido ao local onde vivia o casal, um casebre sem condições de habitabilidade. A GNR esteve no local semanas antes e terá encontrado a mulher com uma saúde bastante débil e ainda com uma ferida aberta.

As autoridades tentam apurar se se trataram de dois suicídios (um consumado, outro não) ou se um homicídio seguido de tentativa de suicídio.






Morreu Maria Feliz, a ermita que vivia há mais de 20 anos em Vila Real. Minha Amiga!

 



Morreu Maria Feliz, uma mulher ermita, de nacionalidade alemã, que vivia há cerca de 30 anos em Portugal. Estava há mais de 20 anos radicada na freguesia de Torgueda. Sofria de uma doença oncológica e estaria em fase terminal. Sempre recusou tratamento. O marido, conhecido apenas como Feliz, foi colaborador do Notícias de Vila Real.

Os Bombeiros da Cruz Branca de Vila Real foram accionados, na tarde deste sábado, para Torgueda, devido a uma emergência relacionada com uma paragem cardiorrespiratória. Segundo o comandante, no local encontraram “uma mulher já cadáver”, “com o marido, ao lado, com os sinais vitais muito fracos”, devido a “cortes nos pulsos”. Feliz foi transportado para o hospital de Vila Real. Recusou tratamento, mas terá sido forçado a ser internado.

O casal ermita vivia na margem do rio Sordo, em Torgueda, numa casa de moleiro que restauraram. Era conhecido por viver apenas do que cultivavam. A alimentação era baseada numa agricultura sem recurso a químicos. Maria Feliz possuía bastante conhecimento sobre plantas medicinais, que cultivava no terreno próximo da habitação onde moravam. Fazia chás, cremes e remédios, que depois vendia em feiras.

Vida do casal de ermitas documentado em filme

O vida do casal serviu de tema para um filme documental, realizado por José Paulo Santos, editado em 2013. O documentário “… além da sala de espera”, que retracta a vida de dois eremitas alemães a viverem na região, integra o Plano Nacional de Cinema.

O filme dá a conhecer o dia a dia de um casal alemão que abdicou de uma vida materialista, na cidade. Maria Feliz e Feliz, foram estes os nomes portugueses que adoptaram, viviam numa aldeia do concelho de Vila Real, em Torgueda.

Sempre revestido de um forte carácter filosófico, o documentário mostra a vida de duas pessoas que se dedicam a viver com aquilo que a natureza proporciona. Feliz e Maria Feliz recorrem a todos os mecanismos de trabalhos artesanais não só para fazer a sua comida, mas também para todas as lidas da casa. 

(daqui)


Maria Feliz, uma mulher ermita, de nacionalidade alemã, que vivia há cerca de 30 anos em Portugal, foi encontrada sem vida na sua casa, em Moçães, freguesia de Torgueda, no passado sábado (22 de Maio de 2021). No local, estava também o marido, conhecido apenas como Feliz, com sinais vitais fracos. O Casal estava há mais de 20 anos radicado no concelho de Vila Real.

O casal de sexagenários trocou, em 1979, a vida profissional pela vocação ligada à alquimia. Estava em Portugal desde 1986. Maria Feliz apoiou, de 1993 até 2014, o Congresso da Medicina Popular em Vilar de Perdizes, com palestras e exposições sobre o seu trabalho com as plantas medicinais e os produtos da Associação pró Hildegard von Bingen, ligado à Medicina Popular, que entretanto fundou.

Desde 2002 que é convidada por escolas, na qualidade de palestras e para acções de várias formações entre outros sobre: “Sabedoria Popular”, “Inter-Áreas Terapêuticas”, “Plantas Medicinais”, “Alimentação Natural”, projectos de promoção e educação para a saúde. Era presença frequente no Mercado Municipal de Vila Real, com produtos da Associação pró Hildegard von Bingen.

A vida do casal serviu de tema para um filme documental, realizado por José Paulo Santos, editado em 2013. O documentário “… além da sala de espera”, que retracta a vida de dois eremitas alemães a viverem na região, integra o Plano Nacional de Cinema.

O filme dá a conhecer o dia a dia de um casal alemão que abdicou de uma vida materialista, na cidade. Maria Feliz e Feliz, foram estes os nomes portugueses que adoptaram, viviam numa aldeia do concelho de Vila Real, em Torgueda.

Sempre revestido de um forte carácter filosófico, o documentário mostra a vida de duas pessoas que se dedicam a viver com aquilo que a natureza proporciona. Feliz e Maria Feliz recorriam a todos os mecanismos de trabalhos artesanais não só para fazer a sua comida, mas também para todas as lidas da casa. 

Feliz e Maria vivem de uma forma livre e independente na margem do rio Sôrdo


Vivemos, hoje, numa sociedade consumista, dependente, supérflua, egocêntrica. O que se passa à nossa volta não nos diz respeito, não é connosco, logo não nos afecta. O objectivo de vida é ter dinheiro no intuito de ter poder, e esperar que esse mesmo dinheiro nos traga felicidade, nos compre a felicidade. Temos a felicidade que nos é imposta pela televisão, pelo vizinho, pelas revistas. Julgamo-nos ricos, detentores de toda a sabedoria, de toda a cultura, andamos na moda, temos o último modelo de telemóvel, possuímos um potente computador, em casa já não nos chega uma televisão e as que possuirmos terão de ter bastantes canais para podermos consumir, consumir, consumir. Nem que a ânsia do consumo nos obrigue a viver na mentira, no engano, na escravidão, na aparência, dependentes de tudo e de todos. Este pequeno preâmbulo serve para apresentar uma outra forma de estar em sociedade, uma outra forma de vida. São duas pessoas, o casal, Feliz e a Maria, que na margem do rio Sôrdo, vivem de uma forma livre, independente. O Feliz e a Maria, são oriundos da antiga RDA (República Democrática Alemã), onde, na altura, se vivia uma ditadura comunista que não lhes agradava. Chegaram ao nosso país em 1986, tendo já estado em diversos sítios (Serra da Estrela, Cabo Espichel, Vilar de Mouros) até assentarem arraiais, em 1999, numa antiga casa de moleiro existente próximo de Moçães, freguesia de Torgueda. O caminho para chegar a casa é de difícil trajecto, identificativo do afastamento que eles desejam e de acordo com a vida dura que levam. Na casa a luz eléctrica é inexistente, a água é canalizada de uma fonte próxima. Produzem os seus próprios alimentos através de uma agricultura natural sem recurso a químicos. A casa serve também de albergue, a Albergaria de Santa Hildegarda, fundada na páscoa de 1998. É destinada a pessoas «doentes» e ali faz-se uma cura, física e espiritual, através de plantas medicinais e dietas alimentares. Não tem preços comerciais, vive de donativos. Luta-se, na Albergaria, contra «a dependência social, cultural e monetária», contra «o sistema ateísta vigente», contra «as posições cristãs sem moral». Principalmente destinada aos jovens, é sua intenção que eles recuperem o ânimo, a independência juvenil. Procuram consegui-lo através de relações com ética, amor ao próximo, ajuda a si mesmo com a ajuda ao semelhante, trabalho, vida comunitária, meditação, espírito de sacrifício, humildade, pobreza voluntária, abnegação e auto-estima, atitudes essenciais, dizem, para quem quiser viver uma vida aprazível. A Maria Feliz diz possuir um grande conhecimento das plantas, da sua utilidade e características. Esse saber tem por base os escritos que Santa Hildegarda deixou no princípio da Idade Média. É Maria quem nos explica quem foi essa santa, a “patrona” da Albergaria. «Santa Hildegarda de Bingen viveu no séc. XII. Foi abadessa dum convento de Beneditinas na Alemanha. Com cinco anos tinha visões, visões essas que se prolongaram até aos oitenta e um. Aos quarenta e três anos teve uma visão de línguas de fogo que desciam do céu sobre ela. Interpretou este sonho como sendo uma ordem divina para difundir e escrever as suas visões espirituais. Começa, assim, a sua carreira como mística, escritora e compositora, dotes confirmados por Bernardo de Claraval e pelo Papa Eugênio II, conhecedores das suas obras. Escreve igualmente uma enciclopédia científica de medicina natural, alimentação e tratamentos de doenças; escreve sobre psicologia, astronomia, filosofia, pedras preciosas, animais, árvores, metais, insectos, doenças que ainda não existiam na sua época, e que hoje atormentam a humanidade e para as quais ainda não há, infelizmente, cura. Hildegarda foi fundadora de dois conventos, Rupertsberg e Eibingen.» O casal confessa-se cristão e diz-se bastante próximo de Deus devido à natureza que os envolve, aos sons naturais que “respiram”, ao murmúrio do rio que convida constantemente à meditação. Recentemente lançaram um jornal, o Apelo da Terra. «É a publicação mais estranha do país.  Tem efeito dinamite, se o povo absorve a mensagem», comenta o Feliz. «Não trata de informação diária, mas sim de informação anímica, mensagem para a alma». O Apelo da Terra faz a divulgação de meios necessários para «não sucumbir nesta luta entre o Bem e o Mal». Segundo Feliz, os quatro pilares fundamentais da Albergaria de Santa Hildegarda são «uma alimentação mais humana (mais natural e mais saudável), a aplicação da medicina natural como profilaxia diária e terapia consciente, uma vida modificada e ética, e, por último, a responsabilidade e a disciplina diárias como preservação destas bases fundame_

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